O número de assassinatos em Franca cresceu 120% neste semestre, em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo dados da Secretária de Segurança Pública (SSP) e da Polícia Civil.
De janeiro a junho deste ano foram registrados 11 casos, seis a mais que no ano anterior. De todos os casos, dois foram contra mulher. O último aconteceu na quinta-feira, 25, no Jardim Paulistano.
Dos crimes, seis já foram esclarecidos pelo setor de homicídios da DIG (Delegacia de Investigações Gerais).
Para o especialista em Segurança Pública e Privada, Guelfo Pescuma Júnior, 63 anos, o aumento desse número pode estar relacionado com a quarentena, devido ao aumento de conflito familiares.
“O isolamento social cria um acúmulo de pessoas e uma convivência forçada nas residências. Juntando a isso, o fator psicológico do isolamento, que interfere, sem dúvida alguma, no convívio das pessoas em casa e nos pequenos grupos. Ainda os casos de pessoas que ingerem bebida alcoólicas normalmente e nesse período tem um acréscimo na ingestão das mesmas. No meu entender, essa associação de fatores é importante para o aumento dos índices de homicídios”, disse Guelfo.
O especialista não acredita que os crimes como “acertos de conta” aumentaram devido à quarentena.
“Os crimes relacionados principalmente ao tráfico de drogas existem constantemente, independente de pandemia. É bom salientar que a impunidade sim é um fator preponderante para o alto índice de criminalidade no Brasil, associada ao fator de reincidência, isto é, o criminoso comete um crime permanece pouco tempo preso, retorna ao convívio social e novamente comete outro crime e quando vai preso, logo retorna a sociedade, tornando um círculo vicioso, sem controle”, disse.
Investigação
De todos os 11 crimes, cinco ainda seguem sendo investigados. No ano passado, todos os crimes foram esclarecidos pela DIG. Segundo o chefe dos investigadores da especializada, Marcos Euclides, o empenho dos investigadores é crucial para o esclarecimento de todos os casos.
“Temos uma equipe exemplar, que não mede esforços para solucionar os casos. Dando assim uma resposta à altura para sociedade e principalmente às famílias das vítimas”, disse Marcos Euclides.
Os crimes
O primeiro crime registrado em Franca foi no dia 25 de janeiro, quando Luis Carlos dos Santos Filho, 32, foi encontrado morto carbonizado no banco traseiro de seu veículo. O carro, que também estava carbonizado, foi encontrado às margens da rodovia Ronan Rocha, em um local conhecido como Pedreira.
O segundo caso aconteceu oito dias após o primeiro registro.
Jéssica Carloni, 28, foi brutalmente assassinada pelo seu ex-marido, numa chácara localizada na avenida Manoel Jacinto Neto, no Jardim Zanetti. Antônio Sérgio Rodrigues, 32, o “Buiu”, desferiu mais de 30 facadas em sua ex-companheira. “Buiu” foi preso no mesmo dia do crime pela Polícia Militar.
No dia 8 de fevereiro, o terceiro caso foi registrado, quando Wilton Silva Diniz, 35, foi morto a tiros na rua Pedro Ramos Molina, no Jardim Moreira Júnior. O suspeito fugiu após o crime.
Um possível acerto de contas motivou o quarto crime, que aconteceu na madrugada do dia 17, na avenida Gabriela de Almeida Pirajá, no Jardim Aeroporto II. Quando Cleber Euripedes Fernandes, de 38 anos, foi baleado na cabeça e morreu na hora. No mesmo crime outra pessoa de 36 anos, também foi baleada e lavada até a Santa Casa, onde passou por médicos e posteriormente recebeu alta.
No quinto caso, Hélio Donizete da Silva, 62, foi envenenado pelo cunhado, um homem de 67 anos, que após o crime acabou com sua própria vida. O crime aconteceu no dia 28 de fevereiro na casa onde ambos moravam, na rua José Antônio dos Santos, no Elimar.
O mês de fevereiro foi o mais violento dos últimos dois anos.
Já o sexto caso aconteceu no último dia de março, 31, quando um homem de aproximadamente 25 anos, foi encontrado morto com um ferimento da cabeça, no KM-4 da rodovia João Traficante, que liga Franca a cidade mineira Ibiraci.
O sétimo registro de homicídio aconteceu quando Celio Januário Nascimento, 38, foi morto por Sinésio Lourenço, de 41 anos, conhecido como "China", no dia 1 de abril, após uma discussão por uma garrafa de pinga. Célio foi encontrado por um popular em um terreno no Jardim Santana, ao lado da Havan.
No oitavo caso, o pedreiro José Antônio Inácio, 56, foi encontrado seminu em meio a mamoneiras, no dia 25 de abril na avenida Segundo Guaraldo, no Jardim Cambuí. Inácio estava com ferimentos pelo corpo e na cabeça. Segundo o suspeito do crime, um homem de 29 anos, ele informou que após terem uma relação no local, acabaram se desentendendo e agrediu Inácio, causando sua morte.
O nono caso aconteceu em um terreno na rua Estêvão Leão Bourrol, quando o morador de rua identificado como Weliton, foi encontrado morto por um homem que limpava o terreno, no dia 19 de maio. Segundo a Polícia Civil, o crime aconteceu na casa ao lado do terreno e a vítima foi levada já sem vida para o terreno.
No décimo caso que ainda está sendo investigado pela DIG, Wesley Alassander Guilherme, 28, foi encontrado morto por seu irmão no dia 19 de junho. A suspeita é que Wesley teria brigado no interior da casa e acabou sendo espancado. Wesley que já possui várias passagens pela polícia, era o principal suspeito de roubar dois motoristas de aplicativos na semana que morreu.
O décimo primeiro homicídio que igualou a marca do ano de 2018 inteiro, aconteceu na última quinta-feira, 25, quando Zilma Nicésio foi encontrada caída pela sua irmã no interior da sua residência. O Samu chegou a ser acionado, mas Zilma já estava sem vida. O caso está sendo investigado pela Polícia.
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