Desde o início da pandemia do novo coronavírus, a maior preocupação das autoridades de Saúde é evitar o colapso da rede hospitalar – principalmente, das UTIs (Unidades de Terapia Intensiva). Depois de Franca atingir o então ápice de ocupação de vagas em tratamento intensivo, 10 novos leitos foram abertos, passando de 23 para 33, mas o reflexo desse reforço foi sentido por pouco tempo. Após cinco dias somente, a taxa de ocupação de UTIs já se aproximava do recorde. Nesse sábado, 4, a situação se agravou e o risco de colapso chegou a Franca. Todos os 17 leitos de UTI Adulto destinados a pacientes da rede pública na cidade estavam ocupados.
Desde quando começou a divulgação, excluindo esse sábado, a maior taxa de ocupação das unidades de tratamento intensivo em Franca foi registrada no dia 23 de junho, com 64% de lotação. Três dias depois, mais sete leitos públicos foram abertos e a ocupação caiu a 45%. No dia seguinte, foi a 36%, mas após cinco dias, mesmo com mais quatro leitos particulares abertos, a porcentagem de vagas de UTI ocupadas voltou a beirar os 60% na cidade.
Os dados são dos Boletins Epidemiológicos, divulgados diariamente pela Vigilância Epidemiológica. Hoje, são 33 leitos de UTI reservados a pacientes com suspeita ou confirmação do novo coronavírus em Franca.
Onze dessas vagas estão na rede privada, nos Hospitais São Joaquim/Unimed e no São Francisco/Regional. Os outros 22 leitos são do SUS (Sistema Único de Saúde), sendo 17 de UTI adulto e 5 de UTI Infantil, instalados no Hospital do Coração, do Grupo Santa Casa.
Na sexta-feira, 3, havia 19 pacientes do Covid-19 internados em UTIs em Franca. A taxa de ocupação era de 58%. Sete pacientes ocupavam as 11 vagas não-SUS e 12 estavam nos 22 leitos do SUS. A lotação era de 64% e 55%, respectivamente. Já no sábado, 17 dos 22 leitos públicos estavam ocupados, com lotação de 100% das vagas reservadas para os pacientes adultos.
Mais 10 leitos
No dia 25 de junho, a Prefeitura contabilizava 23 vagas de UTI em Franca, sendo oito na rede particular e 15 no SUS. No dia seguinte, mais sete leitos foram abertos no SUS, chegando aos 22 de hoje. No dia 28 de junho, a rede privada abriu mais vagas e chegou aos atuais 11 leitos de UTI.
De acordo com o chefe da Vigilância em Saúde de Franca, Felipe Granzotti, a Prefeitura trabalha junto ao Governo do Estado para a habilitação de mais leitos de UTI na rede pública de Saúde.
Sobre a disponibilidade de leitos UTI na rede particular, Granzotti ressaltou que cabe somente à instituição hospitalar abri-los. Mas ponderou que a Prefeitura está em constante conversa com as instituições para que haja a disponibilização de mais leitos de UTI. “Tanto que essa semana houve um significativo aumento nos leitos de UTI não-SUS.”
A Unimed informou que a Ala Covid-19 do São Joaquim Hospital e Maternidade conta com 10 leitos completos, que atendem desde enfermaria a UTI.
Já o Hospital São Francisco/Regional afirmou que “está sempre à disposição para unir esforços no intuito de combater o novo coronavírus, sobretudo realizando ações efetivas e investimentos que garantam atendimento eficiente para seus clientes. No que se refere aos leitos, a empresa encontra-se em diálogo com a Prefeitura de Franca”. Mas não informou o número de vagas reservadas em enfermaria e UTI para pacientes do Covid-19.
Nesse sábado, dos 11 leitos de UTI da rede particular, oito estavam ocupados.
Enfermaria
Enquanto as UTIs das rede pública e particular beiram o colapso, a situação é totalmente diferentes nos leitos de enfermaria Covid-19. A ocupação nesse sábado era de 21% - das 57 vagas reservadas, 12 estavam ocupadas.
Para os pacientes do SUS, são 24 leitos no Grupo Santa Casa e 20 no Hospital da Caridade. A Prefeitura de Franca comprou 40 leitos de enfermaria, 20 em cada hospital, para atendimento da população da cidade.
“Os 40 leitos estão à disposição, regulados. O munícipe que tenha algum sintoma deve procurar o Pronto-socorro Municipal, que é a referência na cidade para casos de Covid. Ao passar pelo atendimento, o médico definirá se o paciente deve ser regulado ou não para a Santa Casa ou Hospital da Caridade, caso necessite de internação em enfermaria”, explicou o chefe da Vigilância.
Segundo ele, no PS Municipal, não há leitos para internação em enfermaria ou UTI, mas apenas leitos de estabilização. “Portanto, não entram na contagem”, explicou.
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