Nada de visitas, seguida de queda nas doações, regras rígidas de higiene e cuidados redobrados. Tudo isso, além de novos recursos e atividades para que os idosos superem o distanciamento social e não percam os vínculos familiares. Esta é nova realidade dos lares de idosos de Franca, em tempos de pandemia do novo coronavírus.
Assim como toda a população, os lares tiveram de se adaptar à nova realidade e redobrar os cuidados, já que neles estão abrigadas pessoas que compõem o grupo de risco do Covid-19. A primeira medida tomada por todos os asilos foi proibir as visitas.
Seguindo as recomendações da Vigilância Sanitária, os lares reforçaram as medidas de higienização e adotaram o distanciamento. Novos dispensadores de álcool em gel, desinfecção de maçanetas e corrimãos, além da limpeza constante dos ambientes, viraram rotina.
“Os funcionários que têm contato direto com os idosos chegam na instituição e se trocam com uniforme que é lavado e higienizado na própria instituição. Colocam calçado que só é utilizado dentro da instituição também”, disse Bruna Thaiana Gonçalves Xavier Pereira, assistente social do Lar de Idosos Eurípedes Barsanulfo.
O Lar Dona Leonor, segundo a coordenadora técnica Fernanda Leite Coelho, oferece transporte aos funcionários que usam o transporte coletivo. “A instituição disponibilizou de buscar e levar estes em sua casa e ao trabalho.”
Ligia Andrian Leal Serenza, coordenadora técnica da Fundação Judas Iscariotes, que administra o Lar de Ofélia, diz que a instituição tomou as medidas contra o coronavírus desde o dia 19 de março.
Cuidados com os idosos
São três meses que os idosos não recebem visitas, nem dos familiares. O convívio hoje é entre eles mesmos e os funcionários da instituição. A tecnologia virou aliada na manutenção dos vínculos familiares.
“A gente tem feito as videoconferências constantemente. (...) As profissionais se organizam de maneira a fazer essas videoconferências, esses telefonemas, esses contatos familiares, praticamente diariamente, para que evite esse distanciamento e a gente consiga minimamente ainda preservar os vínculos familiares, que muitas vezes estão fragilizados”, diz Ligia, do Lar de Ofélia.
Bruna, do “Eurípedes Barsanulfo”, conta que o lar era “bem agitado”. Havia visitas de grupos que levavam almoços, lanches; outros realizavam bingos; havia quem levasse música, dança... Tudo foi interrompido pelo Covid-19. “Tudo foi cancelado e os idosos sentem (falta de) tudo isso. A equipe técnica tem se organizado para que eles sintam isso de uma maneira um pouco mais leve”, revela.
Fernanda diz que no Lar Dona Leonor “foram intensificadas as atividades ao ar livre, como piqueniques, jogos, entre outros, como forma de amenizar o distanciamento social, seguindo, rigorosamente, os protocolos da Vigilância Sanitária de prevenção ao Covid-19”.
O WhatsApp virou elo entre os idosos e seus familiares. E a ferramenta deu tão certo que muitos estão tendo contato com parentes mais distantes, que não viam há tempos.
“Conversando com um familiar, esse consegue o telefone de outro, e de outro e isso vai virando um ciclo. E eles vão conseguindo ter contato com outras pessoas que estão distantes, em outros municípios, às vezes em outro Estado, até mesmo para entender se este familiar está bem”, diz Bruna, do Lar Eurípedes Barsanulfo.
Em todos os lares, os idosos têm acesso a jornais, canais de televisão e se informam sobre a pandemia. E a preocupação com os familiares cresce. Por isso, além das atividades internas, o contato externo, mesmo que online, se torna tão importante.
“As idosas estão tranquilas e ocupando o tempo com as atividades que a instituição intensificou para elas. Algumas comentam que estão esperançosas que tudo isto vai acabar logo”, conta Fernanda, do Lar Dona Leonor.
Doações
As entidades também tiveram de conviver com uma queda nas doações. Campanhas, lives com cantores francanos e reforço dos sites das instituições foram formas encontradas para reforçar os caixas dos lares.
“A diretoria tem buscado parcerias de formas diferentes, através de lives, buscando divulgar o site da instituição para as pessoas doarem dinheiro, porque elas não precisam sair de casa, e podem fazer por meio do cartão de crédito, dinheiro, e no valor que ela puder”, diz Bruna.
No Lar Dona Leonor, segundo Fernanda, “houve uma queda significativa nas doações. “Desta forma, a direção da entidade tem organizado live, campanhas de doação em redes sociais, dando visibilidade às necessidades da instituição.”
No Lar de Ofélia, o trabalho é constante para que não faltem os itens para os idosos e os produtos necessários para os serviços. A saída são as campanhas. “Tem sido complicado, porém, a gente ainda tem conseguido manter a qualidade do nosso serviço de acordo com o que temos recebendo”, diz Ligia.
Os três lares francanos que participaram desta reportagem têm parceiras com as esferas públicas. Em Franca, eles são quatro. Apenas o Lar São Vicente de Paulo não respondeu às questões.
Mesmo com verbas públicas, eles dependem do apoio da população. Com os cuidados redobrados e gastos extras com EPIs, tiveram de lidar com o aumento exacerbado do preço de alguns produtos.
“Querendo ou não, neste tempo de pandemia, a gente tem que se reinventar. A vida continua, mas de um jeito diferente”, diz Bruna.
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