O prefeito Gilson de Souza (DEM) não desistiu da ideia de transformar o antigo clube do Internacional, nos fundos do City Petrópolis, em um local de atendimento aos moradores de rua. A primeira tentativa, fracassada, foi anunciada em julho de 2018. Agora, a promessa é transformar o local em “um dos maiores centros de humanização da América Latina”. Ao tomar conhecimento da intenção do prefeito, o Ministério Público cobrou explicações.
O problema é que a ideia não foi para frente em 2018, justamente, por causa da localização do antigo clube. A intenção do prefeito há dois era levar o Abrigo Provisório, localizado na Vila Gosuen, para o Internacional. A transferência foi alvo de duras críticas por parte de lideranças municipais ligadas à ação social.
“Para onde querem levar é distante, não tem ônibus, é escuro e não tem segurança nenhuma. Se tiver que mudar, que vá para um local digno, mais central. Estão condenando o pobre a viver no ciclo da miséria. Na verdade, o que eles querem fazer é repetir a história do passado: a famosa ‘higienização’”, disse, à época, o presidente da Pastoral do Menor, responsável pela administração do Abrigo, Padre Ovídio Andrade.
O Ministério Público foi acionado e a Prefeitura acolheu a recomendação do promotor de Justiça Paulo Borges, desistindo da mudança, no início de agosto de 2018.
O assunto voltou à tona na última sexta-feira, 12, quando o prefeito gravou um vídeo no antigo clube, com operários limpando o local. “Estamos aqui, nesta sexta-feira, com toda a equipe trabalhando. Aqui vai ser o Centro de Humanização da Franca, um complexo que vai ser um dos maiores da América Latina. Aqui nós vamos trabalhar com os moradores de rua, aqui nós vamos plantar, aqui vai ter refeição, aqui vai ser uma referência em humanização. Parabéns a todos”, diz Gilson, no vídeo postado em suas redes sociais.
“Tal mudança para localidade afastada do centro urbano do Município está em desacordo com a Política Nacional para a População em Situação de Rua e com o Plano Municipal de Assistência Social de Franca”, afirma Borges, em ofício enviado à Prefeitura, nessa segunda-feira, 15, solicitando informações sobre o Centro de Humanização.
O promotor lembra que abriu um Inquérito Civil há dois anos e que tal procedimento foi arquivado, porque a Prefeitura desistiu de realizar a mudança para aquele local, “até a surpreendente notícia veiculando os gastos do dinheiro público no antigo prédio do Clube Internacional”.
Borges solicita que as informações sejam enviadas no prazo de cinco dias e ressalta que “nem mesmo o Conselho Municipal de Assistência Municipal recebeu informações desse projeto, nem aprovou a mudança na política pública municipal, nesta temática; além da falta de qualquer previsão no Plano Municipal de Assistência Social de Franca (2018-2021) a respeito”.
A assessoria de imprensa da Prefeitura foi acionada para passar detalhes do Centro de Humanização. Assim que a resposta for enviada, este texto será atualizado.
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