Para muitas pessoas atividade física é mais que um passatempo. Seja por questões de saúde ou pela busca de um melhor resultado estético, a proibição do funcionamento das academias tem feito com que as pessoas tenham que improvisar para manter uma rotina mínima de exercícios.
Uma das saídas tem sido a boa e velha caminhada. Várias praças e canteiros de avenidas passaram a ter uma concentração muito maior de pessoas praticando a modalidade. Um dos espaços em que este movimento subiu muito é a praça localizada em frente a igreja da Capelinha. O local tem uma pista de caminhada asfaltada que já era movimentada antes da pandemia. Agora, o movimento praticamente dobrou, garantem frequentadores.
Lá há pessoas se exercitando sozinhas ou em pequenos grupos. Há desde quem apenas caminhe ou corra até quem aproveite para fazer flexões, exercícios funcionais e até circuito com acompanhamento de professores em alguns horários.
A corretora de imóveis Marli Nazaré Mendonça, de 46 anos, sempre fez academia. Após o início da quarentena, percebeu as pessoas treinando na praça quando deixava o filho no Tiro de Guerra e decidiu se juntar a elas. “Fiz amizades maravilhosas e pretendo ficar (exercitando-se na praça) mesmo quando as academias voltarem a funcionar”, disse, ao lado de algumas das novas companheiras de exercícios.
Rosana Malta Jardini, 55 anos, é uma delas. Esteticista de cães, treina na praça há 12 anos, mas perdeu o instrutor por causa do coronavírus (ele mora com a mãe idosa e preferiu se distanciar por um tempo). “A maior dificuldade é medo de lesionar com exercícios errados, mas como tivemos professor por muito tempo, temos um pouco de confiança”.
Beatriz Gonçalves Pinto e Silva, 60 anos, dona de casa, é outra que estava acostumada a se exercitar na Capelinha. É ali que treina há 10 anos, com a ajuda de um professor de educação física. Mesmo com as restrições impostas pela quarentena e com a dificuldade adicional da falta de professor, Beatriz se empenha para manter a rotina de exercícios na Capelinha. Até agora, tem conseguido.
Neusa Batista Salgado, 56, enfermeira, também treina por ali há 10 anos. Por estar sem professor, às vezes fica com medo de lesionar, mas mesmo assim nem pensa em parar. “Aqui esquecemos tudo de ruim. É uma alegria danada. A gente treina, conversa, ri. Saímos daqui leves, tranquilas pra enfrentar o dia”, diz, com evidente alegria.Não são apenas as mulheres que elegeram o espaço para se exercitar. Lucas Marques de Melo, 35 anos, psicólogo, fazia academia desde dezembro, onde praticava musculação e muay thai. Ficou 15 dias sem treinar, no começo do isolamento, mas já estava sentindo piora na sua saúde. “Na praça há os prós e os contras. Temos que adaptar os exercícios, não fazemos os treinos que gostamos, mas em troca temos a paisagem, o sol, um ambiente aberto. É ótimo este contato com a natureza para a saúde mental”.
André Garcia de Sousa, 28 anos, educador físico que acompanha Lucas nos exercícios, está há 3 anos na área. Neste período, deu aulas de natação para crianças, hidroginástica, spinning e musculação, sempre em academias. Após duas semanas parado, deu um jeito de se reinventar. “Eu tinha uma rotina bastante puxada, começava as 6 da manhã e tinha aulas pela manhã, tarde e noite. (Era) praticamente o dia inteiro fora de casa. Já estava quase me dando uma “depressão” de ficar parado. Comprei material, escadinha, cones, barra, enfim, material para me adaptar. Como o André falou, a cada dia, vamos nos adaptando”, explica. Ele orienta os treinos de oito alunos na praça, de forma individual ou, no máximo, em duplas, usando máscara e passando álcool nos equipamentos o tempo todo.
Pedal
Outro que migrou das academias para as ruas foi o corretor imobiliário Matheus Franchini, de 23 anos. Matheus era muito focado em musculação e não conseguiu se adaptar para fazer os mesmos exercícios em casa. Em busca de alternativas, retomou hábitos antigos - passou a correr nas madrugadas durante a semana e a pedalar aos fins de semana. “Hoje acordo às cinco da manhã para correr aqui na avenida Presidente Vargas, um local seguro. Nos fins de semana eu pedalo no mesmo local. Recomendo para quem estiver começando”, diz. Franchini ainda conta com uma instrutora particular de Yoga em alguns dias da semana. “Ajuda muito a controlar a ansiedade nestes tempos de pandemia”.
Nem só de praças e avenidas vive o atleta sem academia. Uma opção que tem sido muito usada por pessoas que preferem fazer ginástica sem sair de casa são os streamings de treinos. Gabriela Vilela, 23 anos, nutricionista, virou adepta. Ela fazia musculação na academia, mas assim que estas fecharam passou a acompanhar as lives do seu personal e hoje recebe treinos por WhatsApp. “A maior vantagem é a economia de tempo. Não precisa ir até a academia. Quaisquer trinta minutos livres em casa já dá para treinar. A desvantagem é que não tem o incentivo do professor, aquele ‘só mais um’, ‘tá acabando’, que ajuda muito durante o treino”. Apesar da falta do “incentivo”, Gabriela se adaptou muito bem à nova rotina. Ainda assim, diz que pretende voltar para a academia assim que possível.
Pra quem está pensando em começar a treinar agora, os professores são unânimes em dizer que não é hora de nenhum tipo de exagero. A pedida são treinos leves, de preferência algo que já faziam ou uma caminhada. “Exercício sempre faz bem, mas tem que ter muito cuidado para não causar uma lesão. Ainda mais, sem um instrutor ao lado. Pra quem está começando agora, o ideal é uma caminhada mesmo. Não é hora de pegar pesado”, explica o personal André Garcia.
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