Por conta de serem locais que reúnem muitas pessoas ao mesmo tempo, as instituições de ensino superior suspenderam as aulas antes mesmo de qualquer decreto oficial ser liberado. Agora, com a reabertura do comércio, as faculdades de Franca passam a planejar o retorno de seus alunos.
Assim que a retomada das aulas for permitida pelo Estado, um extenso protocolo com medidas de segurança deve ser liberado e exigido pelo mesmo aos institutos. No entanto, para se adiantar, as universidades vêm preparando planos próprios para blindar alunos e funcionários dos perigos que o coronavírus oferece.
Na Uni-Facef, como afirma o reitor José Alfredo de Pádua Guerra, os planos de retorno vêm sendo discutidos com frequência após a paralisação. “Nós criamos um comitê composto pela reitoria e pelos professores responsáveis pela área da saúde, como medicina, psicologia e enfermagem. Então, realizamos reuniões frequentemente sobre este tema da volta. Até agora, está decidido que só retomaremos as atividades quando permitido pelo governo. Além disso, definimos nossas medidas de prevenção extras, que serão cobradas juntamente às exigências oficiais”.
O reitor explica que um documento será criado e conterá regras envolvendo a situação de pandemia. Essas normas deverão ser seguidas à risca por alunos e funcionários da instituição. Ademais, cuidados com equipamentos de uso coletivo serão redobrados e campanhas de conscientização realizadas pela faculdade.
“Nós criaremos uma portaria institucional que conterá todas as medidas, deveres e direitos dos estudantes relacionados ao momento. Nela, explicaremos o que se pode ou não fazer e como a faculdade lidará com cada ato. Quanto aos equipamentos usados pelos discentes e outros cuidados, nós redobraremos a atenção com a esterilização de cada instrumento e instruiremos os utilizadores sobre seus usos. Além disso, a volta dos acadêmicos deve acontecer de forma gradativa.” diz José.
Na Unesp de Franca, que age de acordo com o Governo do Estado, a volta dos alunos deve acontecer também de maneira gradual. O diretor da faculdade, Murilo Gaspardo, afirma que apenas discentes em final de curso devem voltar em um primeiro momento. “A expectativa é que, pelo menos até o final do ano, não teremos todos os universitários no local. Devem ser prevalecidos os estudantes que estão mais próximos de se formar e aqueles que têm aulas práticas como em laboratórios. Porém, o último caso não é o de Franca”.
Gaspardo explica ainda que a Unesp teve mais problemas com a pandemia. “Diferente de uma maioria de instituições, nós não aderimos ao sistema de aulas online. Apesar de uma parte do corpo docente e estudantes serem a favor do EAD, outros afirmaram que existiriam dificuldades de acesso. Por isso, não conseguimos realizar o desenvolvimento pleno das atividades atualmente”.
Quanto aos cuidados, o diretor explica que a faculdade adotará medidas como a redução do número de alunos por sala de aula, distanciamento de carteiras e esterilização das salas a cada troca de turma. Além disso, Murilo afirma que nenhum frequentador poderá ser pego desobedecendo as regras.
“Caso algum estudante ou funcionário seja flagrado em situações de imprudência, primeiro só orientaremos. Mas todos estarão sujeitos a medidas mais severas ligadas às infrações, como advertências, suspensões e até mesmo o afastamento. Porém, com uma boa conscientização acho que nada disso será necessário” esclarece.
Além da Unesp e Uni-Facef, as outras universidades da cidade afirmam que seguirão todas exigências do MEC. A diretoria da Faculdade de Direito de Franca, FDF, afirma que desde o início da pandemia foram realizadas mudanças na instituição para atender as normas impostas pelas autoridades governamentais e sanitárias. As aulas da faculdade estão sendo realizadas de forma remota. No entanto, assim que permitido, as aulas presenciais serão retomadas seguindo os protocolos exigidos.
Por meio de notas, outros institutos também se pronunciaram.
A Universidade de Franca, Unifran informou que “segue estudando e monitorando as atualizações dos protocolos e orientações do tema, além de acompanhar os planos e ações de retomada de diversas Universidades do mundo para que possa atuar com segurança e assegurar a saúde de seus alunos, docentes e colaboradores”.
A Fatec também se manifestou. Por meio da assessoria do Centro Paula Souza, o instituto afirmou que “o retorno às aulas nas Fatec’s seguirá as diretrizes do Estado, que estão sendo colocadas em prática a partir dos protocolos de segurança estabelecidos pelas autoridades sanitárias”.
Taxas de abandono e mensalidades
Mesmo com a situação totalmente adversa causada pela pandemia, todas as faculdades ouvidas afirmaram que o número de alunos que abandonaram os cursos é pouco diferente dos últimos anos. Segundo eles, os trancamentos ocorrem em números praticamente iguais este ano.
Por conta da crise, houve diversos grupos de acadêmicos fazendo movimentos reivindicando reduções nas mensalidades e algumas faculdades os atenderam. A Facef, por exemplo, de acordo com sua reitoria, passou a atender os estudantes de forma individual para discutir valores.
Segundo o reitor, o desconto para pagamentos pontuais foi aumentado para todos. “Em âmbito geral, aumentamos o valor descontado para pagamentos pontuais. Antes, os es que arcavam com suas mensalidades em dia recebiam 10% de desconto. Agora, esse número passou para 15% ao mês.
Realização de vestibulares
Outro quesito que a crise gerada pelo coronavírus deixou totalmente indefinido foi a realização dos vestibulares, que em várias instituições ocorre de maneira semestral. No atual momento, não existe a possibilidade de as faculdades realizarem esse tipo de atividade.
A diretoria da Unesp alega que a questão será decidida em conjunto com as outras universidades do Estado, mas “a tendência é que as provas sejam canceladas”. Já na Uni-Facef e na FDF, que realizam seus exames de forma anual, nada foi alterado ainda. Os outros institutos não se pronunciaram sobre o assunto.
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