SEM COMANDO

Secretaria de Esportes e Cultura segue sem comando dois meses após saída de Boni


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A grande maioria dos francanos sabe da predileção do prefeito Gilson de Souza (DEM) para os eventos esportivos e shows populares. Tanto é que, logo na segunda metade do primeiro ano de seu mandato, criou a Secretaria de Esporte, Arte, Cultura e Lazer. A pasta ficou quase o período de um parto – nove meses – para ter um titular. Em maio de 2018, Elson Bonifácio foi nomeado secretário. Ficou lá até o dia 2 de abril deste ano, quando foi exonerado para poder disputar as eleições para vereador.
 
Se o governo Gilson de Souza fosse um jogo de xadrez, ao lado do rei – prefeito –, estaria a rainha Educação – a maior de todas – e junto deles estariam os bispos representados pelas secretarias de Saúde e de Esporte e Cultura, duas pastas também com grande apelo popular.
 
Na Saúde, está José Corando Netto. No Esporte e Cultura, ninguém. São dois meses e quatro dias sem um comandante para a pasta que tem um orçamento de R$ 18,8 milhões. Erra quem imagina que as mexidas no governo ficaram paradas neste período. A dança das cadeiras seguiu freneticamente.
 
No mesmo dia da exoneração de Boni, mais duas mudanças no primeiro escalão foram anunciadas. Ambas por motivos eleitorais. Para o lugar de Edgar Ajax, Gilson nomeou o então coordenador de Planejamento e Gestão da própria Secretaria de Educação, Eduardo Ribeiro Guerra. À vaga de presidente da Feac (Fundação Esporte, Arte e Cultura), deixada por Marlon Centeno, o prefeito promoveu a diretora técnica Lucinéia da Mata.
 
 
Vai e vem na Saúde
O troca-troca de cargos de confiança aconteceu até na Secretaria de Saúde. No dia 19 de março, Netto foi galgado à chefia de Gabinete por conta da pandemia do coronavírus. Acumularia os dois cargos.
 
Mas logo depois, saiu Netto e entrou Luiz Carlos Vergara na Saúde. O ex-vereador ocupou o cargo comissionado de assessor de secretaria até o dia 18 de fevereiro, quando Gilson foi notificado pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, que julgou irregular a existência de cerca de 100 cargos na Prefeitura e determinou a exoneração dos comissionados.
 
Com Netto acumulando “desnecessariamente” dois cargos, Gilson viu a possibilidade de reconduzir o aliado político ao governo e, ainda, aproveitar a experiência de Vergara na Saúde.
 
Mas essa configuração durou apenas 14 dias. Com o prazo no limite para secretários com intenções eleitorais se descompatibilizarem de seus cargos públicos – seis meses antes do pleito –, Gilson decidiu exonerar Vergara, para surpresa do próprio. Netto voltou a ser secretário.
 
O ex-vereador foi nomeado assessor de Políticas Públicas na Secretaria de Saúde. A Justiça Eleitoral determina que os ocupantes de cargos comissionados, como assessores, devam se afastar de suas funções públicas a três meses das eleições, portanto, no próximo dia 3 de julho.
 
 
Mais surpresas
Assim como Vergara, o então secretário de Serviços e Meio Ambiente, Adriano Tosta, também foi surpreendido com sua exoneração publicada no Diário Oficial. Ambos foram destituídos do cargo pelo mesmo motivo: o prefeito os quer candidatos a vereador e, consequentemente, seus cabos eleitorais. 
 
Apesar de não terem gostado, a dupla permanece no governo. Tosta ocupa, desde então, o cargo em comissão de coordenador de Administração e Controle Interno, na mesma pasta que comandava.
 
Ele foi substituído por Sérgio Dorigan, nomeado dez dias depois. Segundo o currículo disponível no Portal da Transparência da Prefeitura, a pasta de Serviços e Meio Ambiente é chefiada há dois meses pelo técnico em Eletrotécnica. Sabe-se que trabalhou na Vale do Rio Doce e foi metalúrgico na Dorigan Esquadrias Metálicas e na Serralheria São Jorge.
 
 
Peças não param
A movimentação no tabuleiro de Gilson continuou intensa no mês de abril. No dia 17, o alvo foi a Emdef (Empresa Municipal para o Desenvolvimento de Franca). Sob a alegação de que sua experiência na Saúde seria uma força importante na luta contra o coronavírus, Marcos Haber foi exonerado da presidência da empresa pública.
 
Haber, que é dentista, foi conduzido para a Secretaria de Saúde, como assessor de Políticas Públicas. Com a troca, Gilson acabou com um grande dilema em seu governo: era público o desentendimento entre o então presidente da Emdef e a secretária de Planejamento Urbano, Adailma Ferreira.
 
As duas repartições devem funcionar como uma engrenagem afina, já que a secretaria compra grande parte dos serviços de infraestrutura urbana da Emdef. Mas, na crise da tapa buraco, por exemplo, quando a cidade ficou meses sem a operação, Haber foi à Câmara e criticou publicamente a colega de governo.
 
Na presidência da Emdef, agora está Deyvid Silveira. Servidor de carreira, havia deixado o cargo que ocupou na Secretaria de Desenvolvimento por anos, em diferentes governos, e nos últimos meses vinha atuando como um coringa no Gabinete do Prefeito.
 
Jogada
Todas as trocas no primeiro escalão vieram acompanhadas de rearranjos no segundo, e vice-versa. A mais recente mexida no tabuleiro foi para colocar em jogo o novo assessor de Comunicação da Prefeitura, José Martiniano de Oliveira Júnior. 
 
Como não havia vaga entre os poucos cargos comissionados que sobraram após o corte por decisão da Justiça, Gilson e sua equipe fizeram uma “jogada de mestre” – apesar de já cantada – para surgir o novo posto. A solução estava novamente em José Conrado Netto.
 
Netto já ocupava a chefia de Gabinete por 54 dias e, há mais de um mês, acumulava dois cargos. Logo, no meio da pandemia, decidiu-se que não era mais preciso ter o comandante da Saúde como chefe de Governo. Netto, desde 12 de maio, segue apenas como secretário.
 
Para chefiar o Gabinete, nomeou-se o assessor de Políticas Públicas Afonso Teodoro de Souza Filho. A jogada estava completa: abriu-se a vaga e Martiniano pôde ser nomeado. 
 
 
Xeque se aproxima
Quase no fim de seu mandato, Gilson fez uma minirreforma no governo. Impelido, é preciso reconhecer, pela decisão da Justiça sobre os cargos comissionados e pelo período eleitoral que se aproxima. Mas engana-se, de novo, quem pensa que vai parar por aí. 
 
O início do próximo mês, com o vencimento do último prazo para descompatibilização, a dança das cadeiras deve ter mais uma nova rodada. Até lá, pode ser que Gilson encontre um nome para a secretaria de Esporte e Cultura. Por enquanto, quem assina os atos da pasta é o próprio prefeito.
 
A assessoria de Comunicação da Prefeitura foi procurada para comentar a falta de um comandante na secretaria. Até o fechamento desta matéria, nenhuma resposta foi enviada à redação.

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