Todo cidadão de boa-fé e racional, portanto destituído de qualquer colorido político e ideológico, que assistiu a íntegra da gravação da reunião do dia 22.04, do Conselho de Ministros do Governo Bolsonaro, chegará à inequívoca conclusão de que não houve, naquela data e reunião, qualquer manifestação do Presidente que possa ser interpretada como de intenção de intervir em investigações em curso na Polícia Federal, seja em seu benefício ou de seus familiares, como afirmou o ex-Ministro Sérgio Moro ao se demitir do governo.
Não se pode negar, que há no conteúdo da fita divulgada por autorização do Ministro Celso de Melo, do STF (Supremo Tribunal Federal), uma inegável incontinência verbal do Presidente e de alguns Ministros, para se ficar com o mínimo, prática não recomendável em ambientes públicos e também privados, como ocorreu no caso em trato.
Mas, convenhamos, os mais de 57 milhões de pessoas que elegeram Bolsonaro em 2018, conheciam bem a sua forma de ser e de agir, pois ele, quando parlamentar, viveu sérios problemas com expressões verbais usadas, algumas inclusive contra outros parlamentares.
Também, ao contrário do que a grande mídia pretende agora passar para a população, o Presidente, em sua campanha eleitoral, nunca escondeu a agenda liberal que pretendia implantar no país, caso fosse eleito. Deixou claro, sempre, que era favorável ao direito das pessoas de se armarem, dando-se, assim, cumprimento à vontade popular manifestada no plebiscito de 2005, bem como da sua intenção de diminuir o excesso de burocracia nas questões ambientais.
Por outro lado, também deve ser recordado, que a gravação do conteúdo da famigerada reunião ministerial, não foi requisitada pelo STF para avaliar as posições do Presidente e de seu governo, quanto à pandemia, política sobre armas, desmatamento da Amazônia, dentre outros temas ali tratados. Mas, sobretudo, como salientado acima, para se aquilatar se o Presidente realmente havia deixado clara a sua intenção de intervir na Polícia Federal. Neste contexto, a meu juízo e respeitando posições contrárias, o tiro dado por Moro, “saiu pela culatra”.
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