Indecisão


| Tempo de leitura: 2 min

Setores importantes do nosso país, como Governadores, Senadores, Deputados, Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), Presidente da OAB Nacional e do Conselho Federal de Medicina, dentre outros, lamentaram o pedido de demissão do então Ministro da Saúde Nelson Teich, antes mesmo de completar um mês na pasta.

Confesso que eu não lamentei a decisão do ex-ministro, exatamente por entender que ele não disse com quais propósitos estava assumindo o Ministério da Saúde, em plena pandemia sem precedentes na história recente do planeta.

A biografia de Nelson Teich, demonstra ser ele um excelente médico, com especialização em oncologia, mas que trabalha com mais veemência na medicina privada, tendo, assim, à custa do seu trabalho e da sua competência como médico, constituído uma sólida carreira, com excelentes resultados financeiros, o que aliás, é louvável.

Porém, ao assumir o Ministério da Saúde em substituição ao também médico Luis Henrique Mandetta, que foi demitido pelo Presidente Bolsonaro, embora estivesse realizando um excelente trabalho, o Dr. Teich nunca deixou claro se iria trilhar o caminho preconizado por Bolsonaro, que sempre preconizou a flexibilização da quarentena e o uso da cloroquína, visando com isso trazer novo ânimo para a economia que agoniza, ou se iria se aliar à comunidade científica, que reconhece o isolamento social como única forma, atualmente, de debelar a circulação do vírus, ainda que essa medida possa gerar graves consequências econômicas e sociais.

Nesse diapasão de indefinição, Nelson Teich acabou tentando “acender uma vela a Deus e a outra ao demônio”. Reconhece-se a existência de argumentos sólidos, de ambas as partes. No entanto, não há dúvida de que o Criador estará feliz com a posição que prioriza salvar vidas humanas, que é a preconizada pela comunidade científica.

Desde muito cedo aprendi, que, em algumas circunstâncias da vida, é melhor tomar um caminho que poderá no futuro revelar-se equivocado, do que permanecer inerte e em cima do muro. Com efeito, Nelson Teich acabou sendo vítima da sua própria indecisão.


SETÍMIO SALERNO MIGUEL
Advogado Empresarial e Professor da Faculdade de Direito de Franca

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários