CRISE

Sindifranca estima que 5,4 mil sapateiros já foram demitidos em Franca


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Em Franca, o nível de paralisação das indústrias calçadistas é de 75%, estima o Sindifranca
Em Franca, o nível de paralisação das indústrias calçadistas é de 75%, estima o Sindifranca

O mais organizado setor da economia francana estima que 5,4 mil demissões foram realizadas nesta mais grave crise econômica vivida pela cidade. As fábricas de calçados, que em dezembro do ano passado tinham 14.402 funcionários, têm hoje cerca de 9 mil empregados, segundo uma pesquisa por amostragem.

O auge nos últimos anos de postos de trabalho da indústria calçadista em Franca foi em 2013, quando 29.816 sapateiros atuavam na cidade. Em sete anos, foram muitas crises para tão pouco tempo, e hoje o setor amarga 20,8 mil postos de trabalho a menos. Foram cerca de 15 mil demissões em seis anos e, agora, 5 mil em cinco meses.

Atualmente, não é possível afirmar o número exato do saldo entre contratações e demissões, porque o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) acabou com a transparência nas estatísticas do mercado de trabalho. “Infelizmente, não recebemos o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do Governo Federal desde janeiro de 2020”, lamenta o presidente do Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca), José Carlos Brigagão do Couto.

“Mas, posso informar que terminamos dezembro de 2019 com 14.402 funcionários. Por uma pesquisa por amostragem, temos hoje nas indústrias calçadistas em torno de 9 mil funcionários”, afirmou.

Brigagão defende a volta gradual das atividades, dentro dos padrões de segurança, do comércio. Em Franca, a quarentena começou quatro dias antes de o restante do Estado, por determinação do prefeito Gilson de Souza (DEM), a pedido da Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca), da Unimed e, inclusive, do Sindifranca.

“Se continuar o comércio/varejo nacional fechado e, em especial do Estado de São Paulo, que corresponde a 45% do comércio brasileiro de calçados, fatalmente teremos mais demissões e fechamento de fábricas, infelizmente. Defendemos que o retorno gradativo comércio-industrial seja vertical, mas, rigorosamente cumprindo protocolo de segurança, por região”, diz Brigagão.

O “vertical” a que o presidente do Sindifranca se refere é um termo criado por Bolsonaro para se opor ao isolamento horizontal, proposto pelas autoridades de saúde. Nele, todos devem evitar o contato social, para evitar a disseminação de um vírus – no caso de agora, o coronavírus.

Bolsonaro inventou o “isolamento vertical” para defender que todos vão às ruas, com exceção dos grupos de risco. Todos os especialistas afirmam que tal medida é ineficaz.

Segundo Brigagão, a maioria das indústrias calçadistas de Franca que paralisaram suas atividades por conta da pandemia do Covid-19 voltará a trabalhar. “Tudo dependerá da extensão do coronavírus e da adoção, pelo Governo do Estado ou Prefeitura, do sistema ‘vertical’”, pondera.

Em Franca, o nível de paralisação das indústrias calçadistas é de 75%, estima o Sindifranca. “Estamos encerrando uma pesquisa por amostragem, mas, podemos indicar alguns números, ou seja, 93,5% não conseguiram entregar seus pedidos, provocando uma estocagem de 98,7%. Houve cancelamento em 94,8% dos pedidos. Houve também pedido de prorrogação de pagamentos de duplicatas pelo varejo em 100%, e as empresas tiveram que conceder estas prorrogações”, informou Brigagão.

Ele reforça que o principal apoio da entidade a todo o polo calçadista de Franca, “associados ou não, é a defesa e representatividade do setor, incluindo aí, a cadeia produtiva, juntos aos Governos Federal, Estadual e Municipal, com apoio irrestrito da FIESP/CIESP e da Abicalçados, com outras entidades congêneres, como Sebrae/SP, Senai, Sesi, isto e muito mais, que se traduz em representatividade institucional”.

Brigagão cita como exemplo a conquista da Indicação de Procedência do Calçado de Franca, conquistado junto ao INPI. “É a única indústria brasileira a ter este título.”

O presidente do Sindifranca enumerou diversas outras ações que o sindicato desenvolveu a favor das indústrias de Franca, como “a elaboração do projeto ‘Polo de Desenvolvimento Econômico Couro & Calçados, composto de um estudo com abrangência ampla, focando o mercado mundial de calçados, Brasil e polos calçadistas do Estado de São Paulo, na reestruturação e reconstrução da indústria calçadista paulista”.

Segundo ele, ambos os projetos, já foram encaminhados como sugestão ao Governo do Estado, com responsabilidades às fábricas, envolvendo a equipe do Governo do Estado, dos Sindicatos, calçados e a extensão à toda cadeia produtiva.
 

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