Em mais um encontro com apoiadores e parte da imprensa, nesta quinta-feira, 14, pela manhã na saída do Palácio do Alvorada, em Brasília, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) conversou com um grupo de pessoas no cercadinho, entre eles com um microempresário do setor calçadista de Franca.
Após Bolsonaro dar atenção a outras pessoas, o microempresário Ítalo Manochio Antonio, chamou a atenção do presidente dizendo: “Presidente, é de Franca, interior de São Paulo”. Bolsonaro se aproximou. “Nós somos da cidade que calçamos (...) o Brasil. O Doria está acabando com a cidade. A gente só depende de calçado lá, só fábricas e a maioria micro, pequenas fábricas como a minha. Nós estamos fechando, não tem condições. A gente vende o almoço pra comprar a janta e o Doria tá quebrando a gente. A gente não consegue vender sapato”, disse o empresário frente a frente com o presidente.
Bolsonaro questionou: “Qual será o objetivo dele (Doria) fazer isso aí?. Como regra, não estou generalizando, o político não está muito preocupado com o povo não. Porque ele tá fazendo isso?”.
Ítalo não respondeu ao presidente preferindo seguir na linha da crítica, sobrando até para o prefeito Gilson de Souza (DEM): “O nosso prefeito é um banana.... Tá acabando com a cidade. A cidade é só buraco. Não faz nada para a indústria, somos uma cidade industrial. Vai lá em Franca, estão sendo demitidos em massa. Eu pra sustentar meus funcionários desenvolvi a máscara facial pra ver se eu consigo vender”. Bolsonaro disse em seguida: “E não tem prazo pra acabar, tá só prorrogando a quarentena né”. O empresário emendou: “Estamos reinventando”, finalizou o francano.
Em seguida Bolsonaro saiu para atender a imprensa.
EMPRESÁRIO
O empresário francano, Ítalo Manochio Antônio, que reclamou da situação como o presidente na manhã desta quinta-feira, disse que não foi a Brasília exclusivamente para falar com Bolsonaro. “Eu tenho uma pequena fábrica, que se encontra fechada devido esse decreto do governador. Mas desenvolvi um tipo de máscara e vim vender aqui no Ministério da Saúde. Como não me atendiam, resolvi falar com o presidente na porta do Palácio do Alvorada. Ele recepciona as pessoas de manhã e à tarde, então fui lá”.
Ítalo disse que o contato com Bolsonaro foi só naquele momento, mas que está tentando ajuda através da equipe do presidente para tentar mostrar seu produto (máscaras) ao Ministério da Saúde. “Eu não tenho partido político. Achei que o presidente tem uma atenção grande por todos que vão ali falar com ele. Sua equipe anota tudo que falam. Se ele toma providência eu não sei, mas ele é muito atencioso”, destacou Ítalo à reportagem.
O microempresário está com sua fábrica fechada atualmente, contando apenas em cinco funcionários. “Produzimos calçados de uma linha mais barata, mas está tudo parado. As contas, os impostos não param de chegar e não temos como pagar”.
O empresário finalizou lamentando o momento que o mundo atravessa devido à pandemia do coronavírus. “É muito triste. Nunca vivi esse lado. Agora estou tentando vender pro governo. É um remando para um lado e dez puxando pro outro. A gente fez doações de máscaras para o Samu, UPAs, Hemocentro e hospitais. Aonde vamos a conversa é a mesma, sempre falando da crise, falta de estrutura para trabalhar e de EPIs. Estou reinventando para tentar sair dessa crise”.
O decreto do Governador determina que as lojas permaneçam fechadas até 31 de maio. Dessa forma, as fábricas de calçados ficam impedidas de produzir e comercializar seus produtos.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.