Após o protesto dos motoristas da Empresa São José, na terça-feira, 12, a Prefeitura de Franca se manifestou. Em nota, disse que houve uma “drástica” queda de passageiros, informou que a Emdef (Empresa Municipal para o Desenvolvimento de Franca), que gerencia o transporte público, promoveu “várias” reuniões com a São José e a Câmara, mas de prático, não apresentou nada.
Por conta da crise causada pela pandemia do novo coronavírus, o número de passageiros do transporte público em Franca caiu 81%, segundo a São José. Na última sexta-feira, 8, a empresa demitiu 51 trabalhadores e não pagou o salário dos que ficaram.
Ontem, cerca de 20 motoristas que não estavam atuando nas linhas do transporte público pegaram ônibus que estavam na garagem da São José e saíram em protesto, fazendo buzinaço pelas ruas de Franca. Passaram pela Prefeitura e pararam na Câmara.
Lá, o presidente do sindicato da categoria, Geraldo Xavier, fez menção às gratuidades e ao valor da tarifa. “(...) os vereadores precisam ver isso, o prefeito de lá e os vereadores de cá. Porque os vereadores querem que suba a tarifa, e o prefeito não quer. E eles têm que arrumar uma solução, sei lá, pagar os gratuitos...”
Ao ser questionado se os motoristas não deveriam cobrar da empresa o atraso dos salários, o sindicalista afirmou: “O nosso negócio é regularizar os salários”. Mas ameaçou greve: “Agora, o prefeito e a Câmara precisam entrar em entendimento, porque se não regularizar o salário, nós vamos parar o resto e vir para a Câmara.”
O diretor de Comunicação do Grupo Bellarmino, dono da Empresa São José, Paulo Bardal, disse que embora operado por uma empresa privada, o serviço é público e, por isso, o município deveria prestar um socorro. “Os municípios que entenderam isso estão auxiliando as empresas para que elas possam honrar os compromissos com funcionários, fornecedores, com toda a cadeia que compõe o transporte.”
A Prefeitura, em nota, afirmou que as reuniões da Emdef, com a São José e a Câmara, são no “sentido de se evitar a demissão de motoristas e promover a manutenção do transporte, serviço extremamente essencial à população”.
Nem sindicato nem São José nem Prefeitura citam a palavra “subsídio”, mas os três discursos convergem neste sentido. O prefeito Gilson de Souza (DEM) tentou por três vezes aprovar o aporte para auxiliar o transporte público na cidade (leia abaixo).
A Câmara também divulgou nota, afirmando que não havia até ontem nenhum projeto protocolado na Casa para aumento no valor das passagens e que “qualquer pedido desse teor, se chegar a ser apreciado pela Câmara, deverá partir unicamente do chefe do Poder Executivo Municipal, e não dos vereadores”.
A Empresa São José emitiu uma manifestação ao Sindicato dos Condutores de Veículos Rodoviários de Franca e Região. Nela, a empresa diz que tomou conhecimento de que os motoristas pegaram os ônibus a mando do Sindicato e saíram em manifestação, ontem, pelas ruas de Franca. Afirma que não tinha conhecimento do protesto e que repudia tal ato.
Vai e vem dos subsídios
Na primeira tentativa da Prefeitura de injetar dinheiro no transporte público, o subsídio estava embutido no projeto de renovação com a empresa, mas o texto foi arquivado, em junho do ano passado, porque a Câmara entendeu que não era competência do Poder Legislativo decidir sobre contratos.
Um mês depois, em julho de 2019, a Câmara votou o projeto que previa o subsídio que previa a redução de R$ 0,20 na tarifa. Ou seja, o passageiro pagaria menos, mas a São José receberia o mesmo valor, já que a Prefeitura bancaria esta diferença. A proposta foi rejeitada.
O projeto voltou a ser apreciado pela Câmara no início deste ano. O texto previa o subsídio mensal de até R$ 150 mil ao transporte público. A proposta foi arquivada, em março deste ano, após parecer contrário das comissões permanentes.
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