Com uma alegada queda de 81% em seu faturamento devido à crise causada pela pandemia do novo coronavírus, a Empresa São José demitiu parte de seus funcionários, na última sexta-feira, 8, e ainda não pagou o salário dos trabalhadores que continuam na ativa. Diante deste cenário, cerca de 20 motoristas resolveram protestar nesta terça-feira, 12, contra o atraso nos pagamentos.Com apoio do sindicato da categoria, os motoristas deixaram a garagem da São José, passaram pela Prefeitura e foram até a Câmara de Vereadores. Eles pressionam os agentes públicos, já que a empresa alega que, sem o auxílio do município, não terá como arcar com os salários atrasados.
Desde o início da quarentena, o número de passageiros diminuiu 81% no sistema público de transporte da cidade, disse Paulo Barddal, diretor de Comunicação do Grupo Bellarmino, dono da Empresa São José. Segundo ele, “mesmo sem demanda, para não desassistir a população, a empresa mantém uma frota de cerca de 40% nas ruas”.
Alega ainda que o faturamento de agora não seria suficiente para pagar, por exemplo, o combustível dos ônibus que estão nas ruas. O peso do óleo diesel no custo total da cadeia do transporte seria de 21%. “E essas informações a gente passou tanto para a Emdef (Empresa Municipal para o Desenvolvimento de Franca), quanto para a Prefeitura”, disse Bardal.
O diretor defende que, embora operado por uma empresa privada, o serviço é público e, por isso, o município deveria prestar um socorro.
“Os municípios que entenderam isso estão auxiliando as empresas para que elas possam honrar os compromissos com funcionários, fornecedores, com toda a cadeia que compõe o transporte.”
Ele afirmou que, sem essa ajuda, não conseguirá pagar os funcionários. E o protesto dos motoristas de hoje parecia mais ter como alvo os agentes públicos do que a empresa. “Se eles não pagarem, a gente ameaça entrar em greve já nesta semana. E aí será por tempo indeterminado. O nosso negócio é regularizar os salários. Agora, o prefeito e a Câmara precisam entrar em entendimento, porque se não regularizar o salário, nós vamos parar o resto e vir para a Câmara”, disse o presidente do Sindicato dos Motoristas de Franca, Geraldo Xavier.
A manifestação hoje, segundo ele, não afetou o transporte, porque participaram somente os trabalhadores e ônibus que não estavam nas linhas.
Até a última sexta-feira, 9, a São José tinha em Franca 314 funcionários e, com as 51 demissões, reduziu em 16% o seu quadro. Outros cerca de 80 funcionários tiveram redução na jornada de trabalho e nos salários.
A Prefeitura de Franca foi procurada para se posicionar sobre o assunto, mas não respondeu aos questionamentos até o fechamento deste texto.
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