(tantas andanças tantos amores e o leito vazio)
sem os motivos de antes
resta-me a espera do depois
sem o trilho que conduz
sou a parada inútil de destinos
passei o tempo inventando alegrias
e assim aqui hoje estou
frente à janela do desencanto
diante da paisagem estagnada
lá fora minha vida não passa
amigos não me convidam
amantes não mais me desejam
pois deixei passar o tempo
sem me entregar a ninguém
para hoje me encontrar preso
ao desejo de ser cativo
ninguém mais olha meus olhos
não mais cobiçado eu sou
e quem antes tentou me aliciar
hoje troca de calçada
temente de minha memória
conto os minutos
de encontros não marcados
para ser feliz até o momento
em que eles não acontecem
parto para as noites em desespero
e volto com os olhos úmidos
acreditando no consolo
dos sonhos que não sonharei.
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