O desrespeito às recomendações de isolamento social, como forma de evitar a proliferação do coronavírus, causou um desabafo do secretário municipal de Administração, Luís Roberto de Oliveira. “O que decepciona muito a gente é a população que não colabora.” Ele foi o entrevistado dessa quarta-feira, 29, da live do GCN, no Facebook.
O secretário é responsável pela parte burocrática no Comitê de Enfrentamento ao Coronavírus de Franca. E quando questionado sobre o funcionamento de academias, realização de jogos e até festas, por exemplo, ele não titubeou em responsabilizar a própria população por burlar as regras impostas por decretos municipais e estaduais, com objetivo de evitar aglomeração.
“Se a academia está funcionando é porque a população está indo lá (...) Poxa! Todo mundo sabe que não pode jogar bola, e eles vão...”, esbravejou.
De acordo com o sistema de monitoramento do Estado de São Paulo, o índice de isolamento social em Franca continua baixo, mesmo com a disparada nos casos de coronavírus na cidade, que passaram de 13 no domingo para 36 na quarta-feira. Entre segunda-feira e ontem, o porcentual de francanos que não saíram de casa foi de 43%, 44% e 44%, respectivamente. Todos abaixo da média estadual.
Mais que conscientização, Oliveira cobra a colaboração do francanos. “A gente precisa que a população denuncie (as empresas que desrespeitem as regras). Hoje a nossa fiscalização mal consegue checar todas as denúncias que recebe. O maior fiscal que a gente tem é a população”, afirmou.
Atualmente, a Prefeitura conta com 10 fiscais, para fiscalizar toda a cidade. “E eu não posso cometer a imprudência de contratar ‘n’ fiscais para fiscalizar dezenas de milhares de estabelecimentos que temos na cidade.”
Denúncias podem ser feitas à Vigilância Sanitária, pelo telefone (16) 3711-9415.
Máscaras
O secretário de Administração disse que o decreto municipal que torna obrigatório o uso de máscaras não prevê sanções, porque seria humanamente impossível fiscalizar e punir os infratores. “A obrigatoriedade do decreto dá legitimidade para o proprietário de estabelecimento, comerciante, industriário, impedir a entrada de pessoas sem máscara. A pessoa ganha autonomia para barrar”, ressaltou Oliveira.
A Prefeitura deve se reunir com representantes da Empresa São José, responsável pelo transporte coletivo em Franca, taxistas e lideranças dos motoristas por aplicativo para orientá-los também a barrar passageiros que não estejam usando máscaras. “Já está no decreto, mas vamos nos reunir com a empresa e lideranças para passar a recomendação”, disse o secretário.
Segundo ele, se os empresários, seja de transporte, serviços, indústria ou comércio, autorizar a entrada de clientes e funcionários sem máscaras em seus veículos ou estabelecimentos, eles podem sem multados.
Futuro
Oliveira disse que a Prefeitura pode enrijecer ainda mais as regras, caso o número de pacientes graves com coronavírus aumente e, consequentemente, diminua a quantidade de leitos disponíveis de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e de enfermaria. “Se a pessoa está preocupada hoje, porque está trabalhando parcialmente, se ela não ajudar, se um não ajudar o outro, daqui a pouco, vai parar tudo”, alertou.
E concluiu: “A população não está encarando este vírus de frente. A gente fica dando tanta bola para essa briga política que está acontecendo e a gente vai perder a guerra para o vírus.”
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