Os motoristas de vans escolares de Franca foram um dos primeiros a paralisar as atividades por causa da pandemia do coronavírus. Sentindo o impacto financeiro, os condutores dos veículos de transporte escolares na cidade realizaram uma manifestação na última terça-feira, 21, em frente ao Parque de Exposição "Fernando Costa" com a presença em massa da categoria.
Os motoristas elaboraram um documento reivindicando assistência da prefeitura municipal e um auxílio financeiro que pode ser através da isenção de taxas de vistoria, de ISS, e outros encargos.
Representantes da ATEF (Associação do Transporte Escolar de Franca) devem entregar uma carta com os itens de reivindicação ainda esta semana ao prefeito Gilson de Souza (DEM).
Em Franca são cerca de 167 condutores do transporte escolar que atendem cerca de 11 mil alunos. Porém, a maioria não se enquadra no "auxílio-emergencial" disponibilizado pelo Governo Federal aos autônomos. “Muitos de nós têm carnês pesados dos veículos pra pagar, e estamos com dificuldade pra renegociar com os bancos. Nossa classe está pedindo socorro mesmo, nossos veículos pela legislação são exclusivos para o transporte escolar”, disse o motorista Mateus Antônio da Silva.
“Desde março quando começou a pandemia estamos com dificuldade para receber de alguns pais. Nosso contrato geralmente é de 12 parcelas, alguns pagam em 11 meses. Até o dia 27 de abril os alunos da rede pública estadual e as particulares estão de férias. Portanto ficou combinado com os pais de pagar até o mês de abril, sendo repostas essas aulas posteriormente. A partir de maio já não será mais cobrado porque muitos pais já perderam seus empregos, e não seria justo continuar com o contrato vigente sem eles terem condições de pagar”, acrescentou Mateus.
“Nós estamos passando uma situação complicada. Nossa classe está passando por muitas dificuldades e somos do município por isso esperamos uma resposta do prefeito sobre esse ofício que vamos protocolar na Prefeitura”, disse Ronald Essado, presidente da ATEF.
Veja a carta elaborada pelos motoristas das vans
Caro senhor Prefeito Gilson de Souza.
Em nome dos profissionais autônomos do Transporte Escolar de Franca-SP e seus familiares.
Primeiramente gostaríamos de dizer que "TRANSPORTAMOS O FUTURO"!
Somos uma categoria (condutores escolares) que não merecemos a condição de "pedintes", implorando o nosso sustento. Entendemos que estamos em uma via de mão dupla, com as mesmas dificuldades, porém sem sermos vistos e nem enquadrados em nenhum plano governamental.
Cumprimos uma imensa lista de exigências no nosso dia a dia, e o mais agravante, sem nenhum incentivo do governo.
Fomos os primeiros a parar nossas atividades no país, e seremos os últimos a voltar a trabalhar.
Nossa preocupação hoje é a quantidade de famílias no Brasil, como nós, que o sustento provém dessa atividade exercida e muitos estão passando necessidades básicas.
Transportador Escolar não conta com os benefícios que estão assegurados na CLT. Não temos FGTS, 13° salário, salário fixo, ticket alimentação ou refeição.
Nos meses de férias escolares usamos o valor que seria de combustível(diesel), para realizar manutenção nos veículos, pagar os impostos do Transporte Escolar, e muitas vezes o valor é bem maior que se gasta no diesel, e também pagar as contas do mês. Sem contar com carnê de financiamento das vans que parece eterno.
Em Franca são cerca de 167 condutores do transporte escolar (atendemos cerca de 11 mil alunos) onde a maioria não se enquadra no "auxílio emergencial" pago pelo governo Federal.
Gostaríamos de um auxílio financeiro da Prefeitura e órgãos competentes, e isenção dos impostos sobre serviço(ISS), isenção das taxas de vistoria entre outros.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.