MORTE

Primeira vítima do coronavírus de Franca foi tratada com cloroquina, diz irmã


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A primeira vítima do coronavírus em Franca, o fisioterapeuta Wesley Soares, 34, morto neste domingo, 12, foi tratado com cloroquina durante o período em que ficou internado no Hospital do Coração.
A primeira vítima do coronavírus em Franca, o fisioterapeuta Wesley Soares, 34, morto neste domingo, 12, foi tratado com cloroquina durante o período em que ficou internado no Hospital do Coração.

A primeira vítima do coronavírus em Franca, o fisioterapeuta Wesley Soares, 34, morto neste domingo, 12, foi tratado com cloroquina durante o período em que ficou internado no Hospital do Coração. A informação foi dada pela irmã dele, Daiane Mendes, em entrevista ao programa Hora da Verdade, da rádio Difusora AM 1030 kHz, nesta segunda-feira, 13.

A cloroquina é um medicamento usado no tratamento da malária e lúpus, que vem sendo testado para tratar pacientes do Covid-19, mas que não tem sua eficácia comprovada. O assunto é motivo de polêmicas e, no Brasil, ganhou mais evidência após Jair Bolsonaro (sem partido) passar a defender o uso da droga.

“Ele tomou cloroquina por três dias, na quinta, na sexta e no sábado. E não houve melhora. Ao contrário, ele piorou. A gente está achando que isso paralisou os rins dele”, disse Daiane sobre o irmão.

Histórico e contágio

Wesley Soares era nascido em Carlópolis (PR), mas foi criado em Franca. Recentemente, passou em um concurso público da Prefeitura de São Tomás de Aquino (MG), onde morava com sua mulher e possuía uma clínica de fisioterapia.

Segundo a irmã, o fisioterapeuta era obeso, hipertenso e pré-diabético. Ele começou a apresentar os primeiros sintomas da doença no início deste mês. Daiane contou à Difusora que o irmão interrompeu os atendimentos em sua clínica, por volta do dia 20 de março, quando entraram em vigência os decretos determinando o isolamento social.

Segundo a irmã, o fisioterapeuta não viajou nem teve contato com pessoas que apresentasse sintomas da doença. No último fim de semana de março, ele veio a Franca para fazer compras. “Dia 27, ele foi ao supermercado, lotado, e de lá foi para São Tomás. A gente acredita que ele se contaminou neste trajeto, porque depois, durante a semana, ele começou a se sentir mal.”

Sintomas e falso negativo

Daiane disse que os primeiros sintomas começaram a aparecer no dia 2 de abril e que o irmão colheu material para exames, em São Tomás. Como o resultado não saía, Wesley resolveu vir a Franca para fazer um teste rápido em laboratório particular. Isso na última quinta-feira, 9.

Como o fisioterapeuta e a mulher estavam isolados, o pai fez compras para Wesley, que aproveitou sua vinda a Franca para buscá-las na casa da família, após ter feito o exame. 

Daiane conta que o pai estava colocando os mantimentos no porta-malas do carro de Wesley, que aguardava trancado no interior do veículo. Neste momento, o fisioterapeuta recebeu um e-mail com o resultado do teste rápido, que deu negativo para o coronavírus.

O problema é que em 75% dos casos o teste rápido dá falso negativo. Foi o que aconteceu com o fisioterapeuta.

Internação e morte

Após ler o e-mail e ficar convicto de que não estava com a doença, Wesley desceu do carro e resolveu entrar na casa dos pais. “Ele se sentou no sofá e começou a sentir muita falta de ar. Aí, meu pai o levou para o pronto-socorro e, do pronto-socorro, ele não voltou mais para casa”, disse Daiane.

Ao chegar no Pronto-socorro Municipal “Dr. Álvaro Azzuz”, Wesley já foi colocado no oxigênio e de lá encaminhado para o Hospital do Coração, onde foi entubado. A suspeita era H1N1 e Covid-19. Segundo Daiane, a família era informada sobre o estado de saúde do fisioterapeuta uma vez por dia, através de uma ligação da equipe médica, sempre às 13 horas.

Nesse domingo, não foi diferente. Mas, no telefonema, a família foi informada de que os rins de Wesley estavam paralisados e que os médicos tentariam a hemodiálise. Foram alertados, porém, de que o procedimento poderia não ter sucesso.

“Nesta hora, nós ficamos muito abalados, mas ainda confiávamos em Deus”, revelou Daiane. Passaram-se apenas 40 minutos, para que um novo telefonema informasse a morte de Wesley para a família.

Os resultados dos exames que o fisioterapeuta fez em São Tomás e no Hospital do Coração, confirmando a infecção por Covid-19, saíram apenas no início da noite de domingo, horas após a morte do paciente.

Sepultamento e dor

De acordo com Daiane, o corpo do irmão ficou na funerária até a manhã desta segunda-feira, 13, quando foi levado para o cemitério Santo Agostinho.

Ela disse que o caixão estava fechado e lacrado com fitas. Pouquíssimas pessoas, apenas da família, puderam acompanhar o enterro. “É uma dor que a gente não deseja a ninguém: a mãe não poder enterrar seu filho com dignidade. Só Deus para ter misericórdia da gente”, emocionou-se Daiane.

Os pertences da vítima, por poderem estar contaminados pelo vírus, foram enterrados junto de seu corpo.

“Fica o alerta para todo mundo: o vírus existe. Fiquem em casa, porque a gente só acredita quando pega alguém da família”, disse Daiane, chorando.

A família de Wesley ficará isolada entre 15 e 20 dias, sendo acompanhada pelas autoridades de Saúde. Nenhum dos familiares apresenta sintomas de gripe.

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