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'Festival ao Vivo na Sua Casa' une artistas francanos e reivindica ajuda do governo municipal


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Ficar em casa é a orientação mais ressaltada neste período de pandemia para conter a proliferação do novo coronavírus. Mas ficar em casa não significa estar de braços cruzados. Muito pelo contrário. O momento é de ativar a criatividade, estar em ação e ajudar ao próximo – mesmo à distância. Prova disso é o movimento solidário que envolve artistas de vários segmentos. As lives transmitidas pelo YouTube e nas plataformas de mídias sociais, como Facebook e Instagram, se transformaram na mais nova opção de entretenimento nestes dias de isolamento social e também vem se tornando uma ferramenta tecnológica importante de ajuda ao próximo. Os artistas francanos estão aderindo. Uma parte deles está no Coletivo da Cultura de Franca e podem ser vistos no “Festival Ao Vivo na Sua Casa” e seguem com apresentações diversas na internet.  A primeira ocorreu no último dia 29 de março com 12 horas de programação online. A próxima está programada para o dia 18 de abril. “Para nós o futuro é coletivo. Nosso lema é: Coletivize-se!”, destaca o advogado e poeta Pedro Octávio Doin, um dos incentivadores do Coletivo.

A segunda edição foi no dia 4 de abril com mais 12 lives com apresentações em diferentes linguagens artísticas. A terceira edição aconteceu no último sábado, dia 11, e a quarta está prevista para o próximo dia 18, seguindo o mesmo formato, com apresentações pelo perfil dos artistas convidados e pela fanpage do Coletivo da Cultura no Facebook: @coletivodacultura.

Na programação há poesia (provocações poética), contação de histórias, música em diferentes estilos, como samba, rock, pop, música brasileira, rap, entre outros. “Para as próximas edições estamos tentando ampliar o leque de linguagens artísticas, embora o formato limite um pouco as possibilidades. Temos conversas com artistas para dança e teatro (Stand UP) em andamento”, destaca Pedro.

Além de garantir a visibilidade dos artistas que foram impactados com as medidas do isolamento e perderam, em sua maioria, os rendimentos financeiros por serem profissionais autônomos, o “Festival ao Vivo na Sua Casa” traz uma “vaquinha” online para ajudar estes artistas que enfrentam dificuldades. “Desde a segunda edição estamos fazendo uma “vaquinha” online durante as transmissões e o dinheiro arrecadado é dividido de maneira igualitária entre os artistas. O link é disponibilizado nos comentários das lives e em nosso site www.coletivodacultura.com.br”, explica Pedro.

O coletivo também pediu um auxílio emergencial ao governo municipal no valor de R$ 600 mensais para cada artista. A proposta foi protocalada no dia 31 de março e ainda não teve retorno. “Nosso projeto é plenamente exequível, podendo ser contemplado com um simples remanejamento de verbas já existentes no orçamento do município e pode garantir uma renda de sobrevivência para até 100 artistas da cidade durante a pandemia”, destaca Pedro.

Sem cachê

Gil Reis é músico, educador musical e professor de Tai Chi Chuan. Conheceu o Coletivo através de um amigo. “Com a atual situação, a maioria dos artistas em confinamento e sem poder sair para trabalhar, estão passando dificuldades por conta da falta dos cachês das apresentações em bares, festas, cerimônias de casamento, etc. A grande maioria, por ser autônoma, não tem uma renda fixa, dependendo financeiramente, totalmente dos cachês”. Gil comenta que “a iniciativa do Coletivo da Cultura de prezar e zelar pelo artista na nossa cidade, demonstra total cumplicidade com a classe artística, buscando nos amparar e nos representar diante do poder público”.

Gil participou da primeira edição do “Festival Ao vivo na Sua Casa” e depois disso manteve exibições semanais, aos domingos de manhã e nas terças, às 19h, com as práticas de Tai Chi Chuan. “O retorno tem sido bastante positivo. As pessoas têm agradecido bastante, argumentando o fato de estarmos levando paz e tranquilidade para dentro dos lares, durante esse período de muita preocupação da parte de todos”. Gil ressalta que preza em levar um repertório de qualidade e relaxante, para elevar e tranquilizar as energias com o poder de cura que a música tem. Tem MPB, Jazz, músicas cantadas e instrumentais, baladas clássicas da música ocidental, entre outras mais. As lives podem ser vistas em seu perfil: https://www.facebook.com/gil.reis.37

A sambista e intérprete Rafaela Vaz diz que a iniciativa do Coletivo é muito importante para os artistas francanos. “É um momento ruim que estamos experimentando em nossas vidas que nos tira o direito de ir e vir. O fato de ser algo sem definição nos preocupa. A minha iniciativa para o que estamos vivendo é levar a alegria através das redes sociais onde todos nós estamos conectados nesse momento”. Em seu repertório, Rafaela traz Dona Ivone Lara, Clara Nunes, Cartola, Alcione e entre outros nomes consagrados do samba e a da música popular brasileira. “A recíproca foi grande, as pessoas interagiram, os picos de audiência foram grandes e isso faz com que o artista se sinta acolhido. Não estou me aguentando de vontade de estar novamente nos palcos fazendo o que eu faço de melhor que é o Samba. Fiquem ligados que haverão mais lives vindo aí”.

Para o professor e escritor Carlos Amorim, “esta pandemia escancarou a necessidade de abandonarmos os individualismos de toda ordem e buscarmos soluções coletivas para os nossos problemas, que também são coletivos”. Ele participa das lives para ajudar os artistas que tem só tem essa fonte de renda. Carlos também é um dos fundadores do Coletivo. No festival ele fará uma homenagem a Belchior. “Toda semana eu gravo aulas pela internet e, em breve, começaremos também a fazer entrevistas com outros artistas e profissionais da educação. Todos envolvidos neste projeto possuem um objetivo em comum: sensibilizar o poder público da necessidade de criar um Edital Emergencial para Apresentações via Internet. A prefeitura precisa entender que Franca possui centenas de artistas fantásticos e que estão passando muita dificuldade neste momento”.

Sobre o Coletivo da Cultura

O Coletivo da Cultura é um coletivo cultural, que tem por objetivo organizar e representar a classe artística da cidade social e politicamente. “A ideia é dar voz e vez aos fazedores de arte e produtores culturais da cidade, para que possam pensar em políticas públicas de cultura de uma forma solidária, inclusiva, plural e que represente de fato os desejos e anseios de uma classe carente de representação e que busca protagonismo na construção de políticas públicas que a contemple”, explica Pedro. “O movimento surgiu desta ideia e com o intuito de disputar uma vaga na Câmara Municipal através de uma inovadora iniciativa de Mandato Coletivo, que contará com 11 co-parlamentares e cujos subsídios do vereador (livre de impostos e demais encargos) será destinado a uma Associação Cultural que iremos criar para gerir esse recurso por meio de Editais de ampla concorrência”.

Artistas participantes das últimas lives

Primeira Edição: Perpétua Amorim (Poesia) - MOISÉS MACHADO (violão e voz) - GIL REIS (Piano e Voz) - MARCOS e LENINHA PRADO (MPB) - THIAGO LEITÔNEZ (música brasileira) - MARCELO CABULOSO (Forró Pé de Serra) - SUSSEGO (Raggae Music) - MARINA ROSA (Música Brasileira e Poesia) - NANDO LOPES (Violão e Voz) - BLACKLAS (Música Brasileira e Autoral) - ARNALDO TIFU (RAP) Artista de Santo Andrá - NAY CARVALHO (MPB).

 

Segunda Edição: ELAINE NARCISO (Poesia) - FELÍNIO FREITAS (Provocações poéticas) - MARINA PRADO (Violão e voz) - VITOR NEVES (Violão e voz) - ANA DE ARAUJO (Contação de histórias) - VITOR HUGO (Cantigas para crianças) - VINÍCIUS MANIZA (Música brasileira) - RAMON MOCAMBO (Rap e literatura Marginal) - CAMILLA BORTOLATO e RUY CUNHA (pop e rock) - PAULA & LETICIA DE NICOLA (Brasilidades) - RAFA VAZ (Samba) - VÍTOR CHOCO BAVA (Funk, Soul, Rock e blues)

 

Terceira Edição: Marquinho Sabino (oficina de percuteria - ritmos variados) - Maria Luiza Salomão (degustação literária: Fernando Pessoa) - Ronaldo Sabino (Viola Caipira) - TIKIM: (Releituras) - Bia Goes e Ricardo Valverde (MPB) - Artistas de São Paulo - Grupo Kyloatala (Samba de Caboclo) - Artistas de Embu Guaçú - Lui Vizotto (Voz e Violão) - Ingrid Milanez (Música Brasileira) - Molusco e Banda (Quarentena RAP) - Desirê Medeiros (Música Brasileira) - Carlos Amorim (Tributo ao Belchior) - Selecta H-Dub e Sistah Floradas (Sessão de Quarentena)

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