COVID-19

Franca testa apenas suspeitos de coronavírus com sintomas graves


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 Luiz Vergara foi questionado sobre como são feitas as notificações de casos suspeitos
Luiz Vergara foi questionado sobre como são feitas as notificações de casos suspeitos

Cresceu nos últimos dias, entre a população francana, a ideia de que a cidade está protegida e que há poucos riscos de contágio por aqui. Multiplicaram-se as pessoas nas ruas, as filas nos comércios que estão funcionando e a pressão pela reabertura de tudo. Os números oficiais, que indicam apenas seis casos confirmados e 16 suspeitos tem sido repetido por aqueles que minimizam os riscos da pandemia em Franca. O que poucos sabem é que nem mesmo as autoridades municipais acreditam nestes números, considerados subdimensionados. Tanto o médico Homero Rosa, chefe da vigilância Epidemiológica do município, quanto Conrado Netto, chefe de gabinete e secretário de Saúde, afirmaram na última semana em entrevistas ao portal GCN que acreditam que o número seja muito maior.

Um dado, obtido, pelo Portal GCN, pode ajudar a explicar as razões de tão poucos casos confirmados na cidade. Hoje, em Franca, são testados apenas os pacientes internados com sintomas graves. Se não estiver nesta condição, só fazem os testes os que estiverem dispostos a pagar R$ 300 para o exame num laboratório particular. Todos os outros, fazem apenas quarentena. Os testes rápidos, comprados pela rede pública e municipal, ainda não chegaram na cidade e só devem estar disponíveis dentro de 10 dias.

Faltam testes

O protocolo que recomenda os testes apenas para os internados com sintomas graves se dá pela falta de insumos no Brasil e acende o alerta em um momento em que parte da população e até das autoridades cedem à tentação de afrouxar o isolamento social.

A comunidade científica estima que até 80% das pessoas com coronavírus não terão sequer sintomas da doença. E sem testes, fica claro que, como afirmou o médico infectologista da Vigilância Epidemiológica de Franca, Homero Rosa, são “dezenas de pessoas” infectadas na cidade. Muitas delas circulando livremente e espalhando o vírus, inconscientemente.

No último domingo, 5, o especialista ressaltou que os números da doença em Franca, baixos em relação a cidades de mesmo porte, não o iludem. Certamente, porque sabia que apenas casos graves entram para as estatísticas como suspeitos e, depois, como negativos ou confirmados.

O coordenador municipal de Saúde, Luiz Vergara, foi questionado sobre como são feitas as notificações de casos suspeitos pelos hospitais Regional e São Joaquim à Secretaria Municipal de Saúde e quando é obrigatória a realização de exames. Vergara confirmou as restrições para os testes.

“As notificações estão sendo feitas para pacientes com síndrome respiratória aguda grave (protocolo do Ministério da Saúde) e a coleta (de material para exame), (acontece apenas) em pacientes que estão internados. Profissionais da saúde com síndrome gripal também são notificados e são coletadas as amostras”, afirmou.

A assessoria de imprensa do Hospital Regional confirmou segue o mesmo protocolo. “São seguidas as orientações da OMS (Organização Mundial da Saúde) e do Ministério da Saúde: o exame de Covid-19 é feito em pacientes internados com suspeita de Covid-19”.

Até sexta-feira, 10, Franca possuía oficialmente seis casos confirmados de coronavírus, 16 suspeitas e 50 negativos. Vergara pondera que, apesar de não fazerem o teste para o coronavírus, “os pacientes com síndrome respiratória e gripal, mesmo que tratados ambulatoriamente, devem cumprir a quarentena, e a família também”.

Segundo ele, os 5 mil testes rápidos adquiridos pela Prefeitura devem ser entregues nos próximos dias, mas esses serão usados somente em pacientes com indicação clínica, descartando a testagem em massa na população. O coordenador informou ainda que a Prefeitura solicitou cotação nos dois laboratórios particulares em Franca credenciados para a realização do exame do coronavírus, mas lembrou que a capacidade de ambos também é limitada.

Os valores cobrados de pessoas comuns, segundo ele, são R$ 280 e R$ 330. Até este sábado, 11, apenas um laboratório havia apresentado o orçamento à Prefeitura, mas Vergara não revelou o valor. Também não explicou se a prefeitura vai comprar um lote de exames deste laboratório.

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