AMPAROS

Ação Social monta sistema intenso de amparo aos mais necessitados em época de pandemia


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Para se adequar à situação de pandemia, quem presta serviços à população mais necessitada precisou se reorganizar em diversos segmentos. A rotina mudou. Não só para quem fornece apoio, como é o caso dos Centros de Referência da Assistência Social (Cras), mas também para aqueles que precisam de auxílios e orientações.
 
Eliete Neves, secretária de Ação Social, diz que a procura por ajuda nos Cras cresceu demasiadamente nos últimos dias. Ela conta que tem sido “desafiador” atender esta demanda. “As pessoas estão ansiosas e com medo de ficar sem alimento e sem emprego. Alguns ligam mais de uma vez ao dia, por medo de não ser atendido. Nossa função é tranquilizar e ir atrás de mais recursos”.
 
Essas adaptações refletem diretamente na vida de quem depende dos apoios. De acordo com Eliete, os atendimentos se moldaram às medidas de higiene e de prevenção em geral, ao coronavírus. As mudanças variam para cada grupo, dependendo das necessidades específicas de cada um no cenário atual.
 
Idosos
Dentre as modificações em atendimento aos idosos, está na suspensão de visitas domiciliares feitas por educadores ligados a Secretaria. Esse monitoramento ocorria especialmente àqueles que vivem sozinhos e são distantes de familiares. Contudo, por se tratar de um grupo de risco da Covid-19, o contato agora é através de telefonemas ou mensagens. Só haverá visitas em caso de extrema necessidade.
 
Os quatro núcleos dos Centros Dia do Idoso (CDI) também estão com atividades suspensas. Segundo a Secretária de Ação Social, o deslocamento diário de idosos aos CDIs, vai contra as recomendações do Ministério da Saúde. “Nossa orientação é fazer o acompanhamento a distância, entrando em contato com os familiares para ver se estão precisando de alimentos ou medicamentos”.
 
Já nas Instituições de Acolhimento de Longa Permanência (antigos asilos), qualquer visita está proibida. Só está permitido entrar funcionários do local, tomando todos os cuidados necessários. Para os que seja necessário atendimento médico, este será feito fora da instituição e, caso a pessoa apresente sintomas suspeitos, será isolada em um CDI por 14 dias.
 
Desempregados
Outro grupo prejudicado com o surto de saúde mundial é a população desempregada e de baixa renda. A rotina nessas famílias que dependiam das escolas para cuidar e alimentar seus filhos, mudou bastante. O custo de vida aumentou com as crianças em casa. Em contrapartida, as cestas básicas que antes serviam de complemento para alguns, hoje passaram a ser essenciais. 
 
Eliete Neves relata que o número de pedidos pelas cestas aumentou muito nos últimos dias. “Atualmente trabalhamos com 200 cestas básicas por mês, porém esse número não é mais suficiente. Antes esse auxílio era uma forma de complementar a alimentação das pessoas, hoje com os filhos sem ir à escola, virou necessidade”. Segundo a secretária, é aguardado que os governos federal e estadual, junto ao Ministério da Educação, revertam os gastos com merendas em cestas básicas, e ajude a suprir a alta demanda. 
 
Outra forma de tentar aumentar a quantidade de alimentos fornecidos, tem sido as campanhas de arrecadação. “Houve uma adesão significativa da comunidade com as doações, porém mesmo assim, ainda não atende a necessidade atual e futura. Mesmo quando passar a crise de saúde, ainda haverá reflexos econômicos para essas pessoas”, lamentou.
 
O governo federal sancionou um auxílio emergencial de R$ 600 para pessoas que possuem renda de até meio salário mínimo ou famílias que, somadas, tenham até três. Os primeiros a se beneficiar serão aqueles que estão no Cadastro Único. Nesta terça-feira, 7, será inaugurado um aplicativo para celulares que possibilitará que novas pessoas também se cadastrem e possam receber a ajuda.
 
Pessoas em situação de rua
Na semana passada, o Parque ‘Fernando Costa’ havia ficado encarregado de atender a população em situação de rua. Antes no Centro Pop, serviços como distribuição de marmitas, kits de higiene e banhos passaram a se concentrar no parque e, devido ao espaço maior do local, a ideia era evitar aglomerações. Entretanto, essa concentração culminou justamente no contrário e houveram dias com mais de 100 pessoas aglomeradas no local. 
 
Tal fato levou a Secretaria de Ação Social a distribuir os atendimentos. Agora são nove lugares de distribuição de marmitas, dentre eles a Estação, praça do Itaú no Centro, Formosa e no próprio ‘Fernando Costa’, contudo agora, na praça em frente ao local.
 
Os banhos voltaram para o Centro Pop, porém com agendamento de horários. Devido ao local ter apenas dois chuveiros, há um revezamento entre as pessoas. Lá também está sendo feita a distribuição dos kits de higiene.
 
Informações sobre o atual cenário de pandemia foram passadas às pessoas em situação de rua. “A maioria compreende o que está acontecendo. Eles entenderam os perigos que estão sujeitos ao ficarem circulando pela cidade. Já foram alertados e foi oferecido um local para quarentena. Porém a maioria não acatou, eles preferem não ficaram isolados em um único lugar”, conta Eliete.
 
Atrelado a assistência social, está o programa do governo federal “Consultório na rua”, que leva atendimento médico à população de rua e se encarrega de verificar possíveis sintomas, dentro outros problemas de saúde.

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