ECONOMIA

Gilson pode afrouxar regras e liberar lojas e fábricas; Doria deve barrar


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Estabelecimento de Franca que, mesmo durante a quarentena, tiveram movimento
Estabelecimento de Franca que, mesmo durante a quarentena, tiveram movimento

A indústria e o comércio trabalham desde a semana passada em planos de ações que protejam trabalhadores e clientes contra o coronavírus. O objetivo é a retomada gradativa das atividades a partir desta quarta-feira, 8, quando termina o prazo de fechamento das lojas e fábricas determinado por decreto municipal. As autoridades de Saúde defendem que o prazo seja estendido, mas tudo indica que o prefeito Gilson de Souza (DEM) irá afrouxar as regras, já que nas primeiras reuniões ele cogitou suspender o decreto de imediato.

Para os médicos, o ideal seria prolongar a quarentena pelo menos por esta semana, com a volta ao trabalho após a Páscoa, na segunda-feira, 13. Esta deve ser a decisão a ser tomada pelo governador João Doria (PSDB). E, a se confirmar, as lojas de Franca deverão permanecer fechadas, mesmo com o fim do decreto municipal.

As determinações estaduais em vigor não atingem as fábricas. Elas estão fechadas em Franca por ordem de Gilson de Souza.

Em nota, a Acif diz acreditar que as atividades comerciais serão retomadas a partir desta semana. “O plano de ação entregue propõe um retorno responsável, ponderando medidas de segurança para evitar o contágio do novo coronavírus e proteger trabalhadores, consumidores, a população em geral”, afirmou.

Entre as medidas, estão a redução da jornada de trabalho a seis horas diárias; o limite de uma pessoa a cada dois metros quadrados dentro dos estabelecimentos; fornecimento de equipamentos de segurança e álcool em gel; limpeza constante de balcões e piso; e disponibilização de termômetro.

Indústrias

A expectativa das indústrias também é o retorno às atividades. Mas o presidente do Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca), José Carlos Brigagão do Couto) faz questão de frisar que a decisão será do “poder público e das autoridades sanitárias”.

“Praticamente o Plano de Ação foi totalmente aprovado, apenas um item, quanto à obrigatoriedade de um médico responsável na implantação na empresa, mas, esta decisão será resolvida na reunião de segunda-feira, dada à dificuldade que as empresas teriam se adotado esta exigência”, disse Brigagão.

O plano da indústria é parecido com o do comércio. Entre as medidas mais significativas, está a adaptação que terão de fazer no layout dos parques fabris para respeitar a distância mínima entre os trabalhadores.

Outro ponto polêmico é o transporte dos funcionários até as indústrias, já que os ônibus podem servir de pontos de aglomeração. “Foi sugerido que as empresas criem um Comitê Interno de Combate ao Coronavírus, onde será tratada a melhor forma de evitar contaminações durante o transporte”, informou o presidente do Sindifranca.

O chede gabinete e secretário de Saúde, José Conrado Netto, afirmou que as negociações com comércio e indústrias estão sendo “muito produtivas”. “Estamos buscando encontrar um consenso com soluções de equilíbrio.”

As feiras livres funcionarão neste domingo, sob orientação da Vigilância Epidemiológica. Fiscais sanitários supervisionarão o funcionamento.

‘Mesmo na catástrofe, temos de ter calma’, diz Brigagão
 
O presidente do Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca), José Carlos Brigagão do Couto, disse que a situação do setor em Franca é a mesma dos demais polos calçadistas do País: com o varejo paralisado e o consumidor em isolamento domiciliar, muitas lojas estão cancelando pedidos e solicitando prorrogação das duplicatas de compras feitas antes da crise do coronavírus. “Se as empresas receberem autorização para voltar às suas atividades, vão se reorganizar e entrar em contato com sua clientela. Mas, para tanto, o varejo terá de também voltar às suas atividades”, ponderou Brigagão.
 
O líder calçadista prevê que a volta ao pleno comércio e à normalidade se dará gradativamente e demorará alguns meses. E isso tudo dependerá do nível de disseminação do coronavírus. “Em toda situação, mesmo que seja a de uma catástrofe, como esta guerra do coronavírus, temos de ter calma, paciência, para analisar a situação e os problemas advindos desta crise, para que possamos planejar a vida empresarial e das famílias, e seguir as orientações das autoridades”, recomenda o dirigente. 

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