DEMISSÕES

Democrata paralisa 2 fábricas no Ceará e demite 1,8 mil funcionários


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A Democrata Calçados decidiu paralisar temporariamente as atividades de duas fábricas localizadas no Estado do Ceará e demitir todos os cerca de 1,8 mil funcionários, sendo poupados apenas os que possuem estabilidade. A decisão foi tomada, segundo um diretor da empresa no Nordeste, devido à crise causada pela pandemia do coronavírus. As demissões com o pagamento de todas as indenizações trabalhistas, de acordo com a empresa, são mais justas para os trabalhadores.

Apesar da demissão em massa, a intenção da Democrata é retomar as atividades das fábricas no Ceará em junho ou julho. A informação foi dada pelo diretor industrial da Democrata no Nordeste, Samuel Pimenta, à rádio Itataia, de Santa Quitéria (CE).

Apenas nesta cidade, foram demitidos 1.146 funcionários, de um total de 1.178. Somente grávidas, integrantes da Cipa e sindicalistas, que possuem estabilidade, foram poupados. Em Santa Quitéria, a Democrata está desde abril de 2006.

As outras cerca de 700 demissões, de acordo com o Sindicato dos Sapateiros do Ceará, aconteceram na fábrica de Camocim (CE). Lá, metade da produção é destinada ao mercado interno e os outros 50%, aos Estados Unidos, o que poderia aliviar os impactos da crise do coronavírus na unidade. Mas, segundo Pimenta, como o presidente norte-americano Donald Trump decidiu fechar o país até 30 de abril, a empresa decidiu suspender também as atividades em Camocim.

O Sindicato dos Sapateiros do Ceará disse que apresentou três opções à Democrata para evitar a demissão em massa. Pimenta explicou que conceder férias neste momento seria inviável, porque a indústria calçadista para tradicional e obrigatoriamente no fim de ano devido à troca de coleção.

A segunda opção seria suspender os trabalhos por dois meses. O diretor da Democrata disse que a empresa não “achou justa”, porque diminuiria o poder aquisitivo de seus funcionários.

Já a terceira alternativa seria a diminuição da carga horária. Esta opção apenas prorrogaria as consequências da crise, como demissões, segundo Pimenta. “É um valor altíssimo que a fábrica se dispõe a pagar. Mas, diante das três propostas que tínhamos, a melhor para ambas as partes é o pagamento de todos os direitos de nossos trabalhadores”, disse ele à rádio Itataia.

Com as demissões, todos os trabalhadores receberão seus direitos, inclusive a multa de 40% sobre o fundo de garantia. A expectativa da empresa é recontratar os funcionários, ou parte deles, daqui a dois ou três meses. “A gente não quer prejudicar nenhum dos nossos trabalhadores”, disse o diretor.

Na entrevista à rádio de Santa Quitéria, Pimenta foi enfático: “A fábrica não fecha”. E explicou que o fato de a empresa dar o aviso prévio indenizado à distância aos trabalhadores, assim como a paralisação das atividades, já era em cumprimento ao decreto estadual que determinou evitar a aglomeração de pessoas, por causa do risco de disseminação do coronavírus. “É um momento de ficar em casa, de cuidar de nossa saúde.”

E mesmo se o decreto autorizasse o funcionamento de fábricas, o diretor revelou que a Democrata, no Ceará, “não tem hoje um par de sapato a produzir”. “Não temos mercado aberto. Os shoppings estão parados. Os pedidos de carteira que tínhamos para abril foram cancelados. Pedidos próximos, do mês de maio, não têm”, disse à rádio.

O GCN tentou contato com a Democrata em Franca, mas os telefones da empresa não atendem.

Uma mensagem foi enviada ao presidente do Sindicato dos Sapateiros, Sebastião Ronaldo, para saber se há alguma sinalização de medidas parecidas na unidade de Franca. Assim que ele responder, este texto será atualizado. 

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