COVID

Francana que mora em Madrid contrai coronavírus e relata drama da doença

Por Lucas Faleiros | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Divulgação
Graziella é licenciada em letras com habilitação em espanhol.
Graziella é licenciada em letras com habilitação em espanhol.
 
A Espanha, país europeu com mais de 46 milhões de habitantes, é uma das nações mais afetadas pelo surto do novo coronavírus neste ano. Só lá, os casos confirmados da Covid-19 já ultrapassam os 85 mil. Graziella Melo, francana que reside em Madrid há mais de três anos, testou positivo para a doença e contou toda a sua experiência, desde antes do diagnóstico, até o tratamento a qual foi submetida.
 
Graziella é licenciada em letras com habilitação em espanhol. Em 2016, viajou para a Espanha em um intercâmbio e lá conseguiu trabalho, fazendo com que ela decidisse continuar no país, mais precisamente, morando em Madrid. Segundo ela, antes do surto do novo coronavírus, a vida na cidade era agitada, como acontece em toda grande cidade.  “A vida em Madrid é como em São Paulo. Uma cidade cheia de vida, 24 horas movimentada em todos os meses do ano”.
 
Segundo ela, a rotina dos moradores foi totalmente alterada pelo surto, e o país encontra-se apático e assustado. “Aos fins de semana, costumava sair com amigos, fazer reuniões em casa, sair para passear... coisas comuns que todas as pessoas costumavam fazer. No dia 8 de março, tínhamos em toda a Espanha apenas 200 casos e víamos como estava a situação na Itália. O problema foi que ninguém se preocupou” declara.
 
Para ela, a falta de cuidado fez com que a situação se agravasse muito no país. “Já havíamos sido alertados pelos italianos para fazer a quarentena. Porém, como em quase todos os países, ninguém acreditou ser necessário. Em cinco dias, os casos tinham saltado de 200 para 18 mil. E a cada dia foram aumentando mais. Só depois foram tomadas as decisões importantes. No dia 10 de março, foi declarado o fechamento das escolas. No dia 13, o presidente mandou fecharem bares e restaurantes e, no dia 16, o fechamento de tudo. Somente os estabelecimentos mais necessários foram mantidos abertos. Aqui, inclusive, se você não tem justificativa para estar na rua, acaba sendo multado” conta.
 
Graziella também detalhou como foi a sua experiência com a Covid-19. Até agora, ela ainda não foi considerada curada e segue sendo tratada nos hospitais espanhóis. Segunda ela, até um falso negativo lhe foi dado, antes da doença ser realmente constatada. “O primeiro teste foi feito no dia 9 de março. Deu negativo. E infelizmente, a possibilidade do falso negativo é real, e pode acontecer com muitas pessoas. Somente após ser internada com pneumonia, o meu teste deu positivo. Assim que constataram que aquela pneumonia foi causada pelo coronavírus, fui colocada em um respirador”.
 
A professora explica que os sintomas vão se agravando cada vez mais, e que quanto mais o diagnóstico demora, pior fica a situação do portador do vírus. Graziella conta que a doença compromete muito o sistema respiratório e tira, quase que totalmente, as forças de quem está infectado. Segundo ela, suas tosses e falta de ar ficaram tão intensas que apenas 30% de sua respiração não estava comprometida antes do início 
do tratamento.
 
Quando perguntada sobre o tratamento, a francana disse que tudo ainda é muito experimental e que a medicação debilita o paciente. “Além do respirador, fui medicada com paracetamol a cada 6h. Recebemos também um antiviral e outro medicamento muito forte, o qual não se pode citar o nome, já que está em fase de testes. Por ser um vírus novo, todos os tratamentos são experimentais e ainda não curam 
totalmente o paciente”. 
 
Ela afirma que não deseja que o Brasil passe pela situação a qual vivencia a Espanha, e que os brasileiros devem tomar os cuidados necessários para que a pandemia não se agrave ainda mais. “Levem a sério a quarentena. Muitas pessoas são assintomáticas e podem passar o vírus sem perceber. Estão morrendo pessoas jovens e saudáveis. Não é somente uma ‘gripezinha’. Pessoas sem histórico de doenças estão tendo complicações. Eu sou uma delas e cheguei ao hospital quase sem respirar”.
 
“O distanciamento social completo é necessário. Não para impedir o vírus, mas sim para que não haja um contágio massivo. Se o sistema de saúde brasileiro sofrer um colapso, não serão afetados somente os contaminados pelo novo coronavírus. Serão afetadas também as pessoas que têm outras doenças e necessitam dos hospitais”. A professora ainda declara que a “economia se reergue, mas a vida de ninguém volta”.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários