O medo


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Tentando me colocar na pele de quem está apavorado com a pandemia. Aquele que escuta o presidente vociferar contra a mídia, como se ela inventasse a virulência do Corona, no mundo todo.

Apavorada, vendo imagens na TV: Paris (ruas desertas). Lombardia, região rica/industrializada, norte da Itália: mortos em ringues de patinação por não conseguirem enterrá-los a tempo - corona vírus tem dizimado a população!

Aterrorizada, ouvindo o presidente da Organização Mundial de Saúde dizendo que seu coração se parte quando o mapa mundial aponta a contaminação da população na maioria dos países. Como pode ser “gripezinha”?

- Como me acalmar? Ouvindo especialistas: o vírus produz bronco-pneumonia. Mata quem tem imunidade baixa, não somente velhos, mas quem já tem doenças graves e está fragilizado; fumantes compulsivos; quem tem stress elevado. Fatores que baixam a imunidade.

Quando ouço vozes dissonantes, quando a algaravia estridula, o que procuro filtrar? Fico em casa, vou trabalhar, o que elejo para meu bem-estar, cuidado comigo, com outros?

Medo evoca reações intensas: paralisa, mas também gera atitude oposta: reação motora irracional, suicida; negação radical do evidente.

Medo faz as vísceras falarem – rubores que afogueiam o rosto ou, ao contrário, palidez cadavérica; sensação de gelar o abdômen; impulso de fuga desenfreada; diarreia ou vômito – canais que tentam expulsar aquilo que não pode ser contido. A vida que escapa, em pânico.

Medo emudece, ou, ao contrário, provoca tagarelices, invenção de mentiras, esconderijos para a covardia: não enfrentar diretamente o que é temido.

Em pânico, inimigos são criados.

Medo enlouquece, cria delírios, constroem-se realidades paralelas. Ignorando sinais de perigo, acreditando se proteger, perigo é antecipar-se morte física/ mental: imediatismo cego/surdo/arrogante/onipotente.

Medo pode ser protetor. Quem fica em casa, na quarentena, se resguarda para si e para quem ama.

Extremado, Medo abisma na loucura. Entope filtros.

Cuide-se. Cuidemo-nos. Saúde!
 

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