ROTINA

Francanos que vivem no exterior revelam rotina de isolamento e tensão


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Governo irlandês cancelou todos os eventos com mais de cem pessoas. Através de fotos enviadas pelo publicitário Evandro Martins Fernandes, é possível identificar a falta de movimento em locais públicos
Governo irlandês cancelou todos os eventos com mais de cem pessoas. Através de fotos enviadas pelo publicitário Evandro Martins Fernandes, é possível identificar a falta de movimento em locais públicos

O Brasil e o mundo entraram em alerta máximo após a OMS (Organização Mundial da Saúde) decretar pandemia do Covid-19 na quarta-feira, 11 de março. Estados Unidos, Irlanda, Itália, Suíça, Portugal são alguns países escolhidos por francanos para viver que tiveram suas rotinas completamente alteradas por conta da pandemia.

Medidas drásticas vêm sendo tomadas por governos ao redor do mundo como forma de prevenção e controle do vírus. Mas, afinal, como é a realidade de quem mora fora do país? A situação é melhor ou pior que a do Brasil? Confira:

Estados Unidos

Waléria Silva de Almeida, 26, mora há dois anos em Portsmouth, no estado de Rhode Island, nos Estados Unidos.

Segundo ela, o governo declarou estado de emergência na sexta-feira, 13, e já na segunda-feira, 16, foi decretado que todo o comércio, escolas, bibliotecas e universidades, entre outras instituições ou estabelecimentos, fechassem. As pessoas foram orientadas a ficar em casa, se precavendo da melhor maneira possível. Está proibida a entrada de voos da Europa e o consulado brasileiro está fechado com agendamentos cancelados até junho.

''A situação está um caos. As pessoas saem de casa apenas na necessidade, todos estão se precavendo, pensando no coletivo. A economia está instável. Os vôos estão sendo cancelados, muitas pessoas não estão conseguindo voltar para a casa (situação da avó do meu namorado). As pessoas estão com medo e a incerteza de quando tudo isso irá acabar ou até mesmo amenizar''.

Irlanda


Evandro Martins Fernandes, 32, mora há dois anos em Dublim, na Irlanda.

De acordo com o publicitário, o governo cancelou todos os eventos com mais de 100 pessoas. Fechou baladas, pubs, cinemas, museus, teatros entre outras instalações. Proibiram a chegada de estrangeiros e só entra no país quem é residente, mediante a comprovação. Grande parte das empresas e comércios pararam ou estão funcionando com carga horária reduzida. Escolas, cursos e faculdades não foram abertos desde o primeiro dia da quarentena. Os mercados continuam funcionando, mas com horários exclusivos para idosos. Por fim, cancelaram o festival 'St. Patrick's Day.

''Aqui, como em todo o mundo, existe o medo e a preocupação em chegar ao estado que se encontram os países mais afetados. Mas a população entendeu o recado e está cumprindo com o isolamento social e as recomendações do governo e da OMS. O governo está trabalhando para suavizar os impactos, articulando paralisação dos impostos, empréstimos, financiamentos, aluguéis, entre outras medidas. Foi liberada uma ajuda financeira para quem perdeu o emprego, teve seu trabalho reduzido e também para estudantes estrangeiros.''.

Suíça


Luana Santos Domiciano Young, 29, mora há nove anos em Solothurn, na Suíça.

Conforme Luana, o governo suíço realizou uma série de recomendações, como por exemplo ficar em casa, conversar com uma distância mínima de dois metros e redobrar cuidados com a higiene (lavar as mãos, usar o álcool gel). Além das recomendações, foi proibido reuniões e sair para lugares públicos. Houve o fechamento das fronteiras com todos os países vizinhos e voos internacionais foram cancelados. A maior parte das empresas estão paradas, diferente de comércios, escolas e faculdades, que fecharam por completo. Apenas os supermercados e estabelecimentos de primeiras necessidade estão abertos.

''Não está nada bem. Você vê o pânico na cara das pessoas, mas todos tentam se controlar. Sempre estamos olhando as notícias do governo a respeito do vírus, como novas medidas e o que fazer. Mas as coisas estão mudando a cada hora. O que podemos fazer no momento é nos garantir, estocar alimentos, nos prevenir como na questão da higiene, e ficar em quarentena até o dia 20 de abril (data estipulada). Só o que nos resta é aguardar até lá''.

Portugal

Julia Nightingale, 36, mora há três anos na cidade do Porto, em Portugal.

Segundo Julia, desde quarta-feira, 11, as autoridades começaram a falar em cuidados redobrados com a higiene e medidas foram tomadas para a evitar a propagação do vírus. Fecharam as fronteiras terrestres com a Espanha, onde só passam moradores ou transporte de alimentos. Já os voos também foram. Grande parte das empresas optaram pelo fechamento, outras por rodízio entre funcionários. Restaurantes, escolas, universidades entre outros estabelecimentos, foram fechados. Supermercados operam em horário reduzido e com controle de entrada de pessoas. Farmácias e postos de combustíveis só atendem através de uma janela, onde se faz o pedido eo pagamento.

''Nunca pensei que viveria isso. É surreal ver o Porto vazio. As ruas com pouquíssimas pessoas, quase desertas. Parece um cenário apocalíptico, tipo de “The Walking Dead”. Na terça-feira, 17, quando fui ao supermercado, estavam todos de luvas e máscaras, foi uma cena assustadora. O que mais me preocupa é a economia. Não sei como será quando tudo isso passar, a quantidade de pessoas que irão perder os empregos, as pequenas empresas que não vão conseguir se reerguer''.

Itália


Em meio à pandemia do novo coronavírus (Covid-19), o deputado ítalo-brasileiro Luis Roberto de San Martino Lorenzato da Ivrea, de 48 anos, que divide sua vida entre o parlamento em Roma e sua vinícola em Ituverava, relatou os momentos de tristeza que a Itália está passando. O país viu a contaminação se generalizar e até o momento contabiliza 63.927 casos confirmados e 6.077 mortes, ultrapassando até mesmo os números da China.

Para o deputado, que voltou ao Brasil na semana passada, o governo e a população italiana demoraram a entender a gravidade da doença. Não foram poucos os que ignoraram os decretos implantados e quarentenas. O resultado foi terrível.

"A situação na Itália é critica e caótica. As pessoas não cumpriram inicialmente o isolamento social/espontâneo implantado, as aglomerações continuavam normal. As recomendações de higiene também foram algo que os italianos demoraram a praticar como lavar as mãos com sabonete ou álcool em gel.", explica. "O governo também demorou a entender a gravidade. Alguns governadores duvidaram da capacidade de transmissão do vírus, demorando a decretar o estado de calamidade pública no país, medida que, por exemplo, só foi tomado após o vírus adoecer várias pessoas, principalmente os mais idosos"

Ele contou que quando a doença chegou ao país, muitas pessoas simplesmente fugiam dos hospitais e até mesmo das quarentenas para evitar o isolamento. “Pessoas em quarentena em cidades grandes fugiam para suas cidades de origem levando consigo o vírus e espalhando em um local que, inicialmente, não teria a contaminação.”

Lorezato ressalta a importância das pessoas se manterem calmas e o cuidado com as fake News. “O pior problema desses casos é o pânico que é criado pelas pessoas. As fake news são um problema muito grande. As pessoas espalham notícias falsas falando que tal pessoa está doente; tal local tem pessoas contaminadas e isso é um perigo. Temos que tomar cuidado para evitar prejuízos maiores”.

A Itália é o país com mais mortes em todo o mundo. No país, 43 mil pessoas já foram multadas por infringirem a quarentena compulsória. Hoje, ninguém pode sair de casa a não ser para fazer compras em mercados ou farmácias. Situação semelhante vive Espanha e Portugal.
 

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