O enterro do homem de 59 anos morto na manhã de sexta-feira, 20, no Hospital de Coração de Franca, com suspeita de coronavírus, foi interrompido na tarde de ontem por policiais militares e guardas civis municipais. A medida foi tomada após a Secretaria Municipal de Saúde tomar conhecimento de que a direção do SVO (Serviço de Verificação de Óbito) liberar o corpo para enterro sem realizada de necropsia.
Acompanhados dos policiais e advogados da Prefeitura, funcionários da Secretaria e da Vigilância Sanitária se desculparam os familiares da vítima pelo episódio constrangedor, explicaram a necessidade e importância da realização da autópsia, e levaram o corpo de volta ao SVO.
O secretário de Saúde, Luiz Vergara, disse que a direção do SVO alegou não existir um protocolo de exame para casos de mortes suspeitas por coronavírus para liberar o corpo. Mas, depois, com a presença da polícia e seguindo sugestão do médico Homero Rosa Jr., da Vigilância Epidemiológica de Franca, fez a necropsia seguindo o mesmo protocolo para suspeita de H1N1. O resultado deve sair em até 30 dias.
Vergara conta que ontem recebeu comunicado do Grupo Santa Casa, informando sobre a morte suspeita por Covid-19 no Hospital do Coração. Após cumprirem todos os protocolos para casos deste tipo, o secretário determinou a necropsia, já que exames de sangue e da mucosa nasal e garganta não seriam possíveis com o paciente em óbito.
O caixão então seguiu lacrado para o SVO, de onde foi liberado, sem exames, para enterro. Como nesses casos, a recomendação é não haver velórios. O corpo já estava no Cemitério Jardim das Oliveiras, quando a Secretaria foi avisada da não realização da necropsia e acionou a polícia.
“Nos desculpamos com a família. Eles entenderam que este é um problema da cidade, do Estado, do País, do mundo. Mas foi um constrangimento muito grande. Mais uma vez, nossas desculpas à família”, disse Vergara.
A necropsia foi realizada e o corpo foi liberado na manhã deste sábado para o enterro.
A vítima é um homem de 59 anos, morador em Restinga, que viajou recentemente duas vezes a São Paulo. Uma delas, inclusive, foi para tratamento de saúde. O paciente era portador de cardiopatia grave e desenvolveu insuficiência respiratória grave.
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