DECRETO

Maioria cumpre decreto e fecha estabelecimentos, mas alguns locais persistem e abrem lojas


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Uma das lojas abertas no Centro de Franca.
Uma das lojas abertas no Centro de Franca.

Kaique Castro e Luciano Tortaro

Oito e meia da manhã de uma sexta-feira. É 20 de março de 2020. O Centro de Franca está praticamente deserto. Neste horário, é comum o ritmo frenético de funcionários chegando ou já preparando as lojas para serem abertas. O dia parecia que iria ser diferente, mas uma hora depois, o cenário era outro. Muitas pessoas se aglomeravam na porta das agências bancárias. Era grande o número de carros estacionados nas vias centrais. Moradores e alguns estabelecimentos comerciais ignoravam as recomendações e ordens das autoridades francanas.

O decreto do prefeito Gilson de Souza (DEM) que colocou Franca em estado de emergência em decorrência da pandemia do coronavírus começou a vigorar nesta sexta-feira, 20, e, entre uma série de medidas, determinou o fechamento de lojas e fábricas até o dia 27.

Na manhã de hoje, os reflexos do decreto já eram sentidos. Cemitério da Saudade, ginásio do Champagnat, Casa da Cultura e do Artista Francano, escolas infantis e de idiomas fechadas. Em grande parte desses locais, cartazes explicando o motivo do fechamento foram afixados. Nas avenidas Hélio Palermo e Orlando Dompieri, a grande maioria dos estabelecimentos estava fechada. A exceção eram algumas oficinais mecânicas e borracharias, além de farmácias, supermercados e padarias.
As barracas da Praça do Itaú, em frente à Santa Casa, e da Praça 9 de Julho, em frente ao terminal de ônibus, estavam todas fechadas.
 
Na Praça Nossa Senhora da Conceição, a maioria das pessoas se aglomeravam em bancos e lotéricas, repetindo o que foi visto no meio da tarde desta quinta-feira, 19.  Na Praça Barão e nos calçadões do Centro, o cenário é de poucas pessoas.
 
Operando mesmo com decreto

Mesmo com o decreto determinando o fechamento de comércio e fábricas, para evitar aglomerações de pessoas, a equipe do Portal GCN encontrou alguns pontos que estão desrespeitando o decreto. 
 
Na área central, das várias lojas ali existentes, apenas três lojas desrespeitaram o decreto e estão funcionando, em nenhuma delas foi visto o uso de luvas e de máscaras por funcionários. Em uma loja de varejo, a entrada é limitada pelos funcionários.
 
Por volta das sete e meia da manhã, apenas uma fábrica aparentava estar trabalhando normalmente no Distrito Industrial. O diretor da empresa, José Joaquim, de 57 anos, disse que foi pego de surpresa com o decreto e, que para não perder todos os produtos que estavam sendo fabricados no fim da tarde de ontem, 19, pediu para os funcionários trabalhassem meio período para que organizassem a fábrica.
 
“Os funcionários estão trabalhando até o fim da manhã desta sexta. O decreto tinha que começar na segunda-feira, como que iríamos preparar toda a fábrica para um fechamento. Pedi para que eles viessem, respeitando a distância um do outro, e até o fim da manhã todos estarão liberados. Se eu não fizesse isso, perderia todos os produtos em processo de preparação”.
 
Outro ponto com grandes aglomerações era em uma empresa de callcenter no Jardim Flórida. Segundo funcionários que não se identificaram, a empresa chegou a liberar as pessoas que vão de ônibus, grávidas, que possuem filhos de até 5 anos, e pessoas com mais de 60 anos. Mas mesmo com a liberação desses grupos de funcionários, as entradas de pessoas eram constantes. Há relatos de funcionários que mais de 300 pessoas estão no prédio.
 
Denúncias podem ser feitas pelo telefone 3711-9415.
 
O que pode abrir?

Farmácias, padarias e supermercados na região central estavam funcionando, mas o movimento era tímido. Uma barbearia foi flagrada com as portas abertas, entretanto, não havia clientes.
 
 O Poupatempo está aberto, mas estão operando com atendimentos emergenciais. Atendendo apenas pessoas que necessitam de RG para internações e pessoas da área da saúde. A retirada de documentos para as pessoas que efetuaram o serviço, está normal para esta sexta-feira.

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