De um bate-papo despretensioso em um rancho começou a nascer a obra que vai eternizar, por meio de relatos de um ídolo, passagens marcantes do esporte que todos respiram em Franca. A história de Hélio Rubens Garcia ultrapassou as linhas das quadras de basquete e chegará às livrarias.
A ideia de escrever um livro surgiu por acaso. No ano passado, Hélio Rubens foi passar o final de semana no rancho da empresária Luiza Helena. Empolgado com o momento atual do time, começou a contar histórias de sua carreira como jogador e técnico. Janice, amiga em comum deles, ficou encantada com os relatos e comentou com Luiza Helena. “Estas histórias são incríveis. Têm que contar em um livro”.
Luizinha se perguntou como não havia pensado na ideia antes e ligou na hora para um assessor. Deu a ordem para que o livro fosse produzido. A missão de ajudar Hélio a escrever a biografia foi entregue ao jornalista Igor Ramos.
Nos últimos meses, o jornalista manteve constantes conversas com Hélio, familiares, amigos e com grandes nomes do basquete nacional, como Oscar, Wlamir Marques, Pecente, Maury Passos, Hortência e Paula, além dos companheiros de time em Franca. “São mais de 30 depoimentos no livro. As pessoas foram muito solícitas contando histórias do Hélio. Até aquelas pessoas que tiveram desentendimentos com o Hélio, falaram com muito carinho e respeito sobre ele. Para mim, foi uma honra e uma satisfação poder escrever junto com o Hélio esta biografia”, revelou Igor Gomes.
O livro retrata a carreira de sucesso de um dos maiores nomes do esporte no Brasil, tanto dentro, quanto fora das quadras, conta detalhes da passagem de Hélio, não só por Franca, mas pelo Vasco, Uberlândia, seleção brasileira, relembra jogos memoráveis e fala do amor dele pela cidade.
A biografia revelará um Hélio Rubens que poucas pessoas conhecem e que norteou sua vida com os princípios e ensinamentos que sempre cobrou de seus jogadores. Um capítulo especial será a relação de Hélio com o professor Pedroca e a sucessão do comando do basquete para o filho Helinho. “O Hélio soube conduzir e levar o nome de Franca como poucos. Junto com outros jogadores, ele colocou Franca no mapa mundial do basquete. Poder contar a história deste personagem tão rico foi muito gratificante e desafiador”, disse o jornalista.
O livro, intitulado Hélio Rubens, a trajetória de um vencedor no jogo da vida, conta com textos de apresentação de Galvão Bueno e de Luiza Helena Trajano. O lançamento será feito neste sábado, às 19 horas, na sede da LuizaLabs, que fica na rua Arnulfo de Lima, 2.385, bairro Santa Cruz. A noite de autógrafos será aberta ao público.
“Aprendi que treino é jogo e jogo é guerra”
Hélio Rubens completará 80 anos no próximo dia 2 de setembro. Se a memória começa a falhar, a vitalidade e o bom humor permanecem intactos. Antes de receber o Comércio para falar sobre o lançamento do livro, estava praticando esportes. Só após exibir um de seus truques de mágica começou a falar. Encerrada a entrevista, foi à quadra que tem em casa e bateu bola com o filho Helinho. Acertou a cesta no primeiro arremesso e contou um segredo que escondeu do filho por muitos anos: instalou um aro com diâmetro menor para que Helinho treinasse e tivesse arremessos mais precisos.
Hélio Rubens começou sua relação com o basquete aos 16 anos. Na época, era jogador titular e capitão da Francana. Recebeu convites para defender o São Paulo. Habilidoso, era caçado em campo. Com medo de se machucar, pediu à diretoria que dessem a ele uma garantia, uma espécie de seguro. Como não foi atendido, decidiu seguir os conselhos da mãe e trocou o campo pelas quadras. “Ela me incentivou a ir para o basquete, pois achava o ambiente melhor. Felizmente, foi uma decisão acertada. O esporte é um agente educacional fantástico no burilamento da personalidade, na formação do caráter, na saúde e na disciplina”.
Hélio relembrou uma história que define bem sua importância para o basquete nacional. Em 1972, era jogador e capitão da seleção brasileira. Foi convocado para defender o Brasil nas Olimpíadas de Munique. Mas ligou para o presidente da confederação e avisou que não iria jogar. Estava de casamento marcado e já havia mandado fazer os convites. “No dia seguinte, o presidente me ligou e disse que iria resolver o problema. Como presente de casamento, ele me deu a passagem de minha mulher para passarmos a lua de mel na Europa. Falei, nossa senhora, quem não quer isso? ”.
Com uma vida dedicada ao basquete, Hélio ficou entusiasmado em escrever o livro. “Além de passagens como jogador e técnico, eu falo dos conceitos de vida que aprendi com meu pai e com o professor Pedroca: respeito, disciplina e zelar pelo bem comum. A equipe está acima de todos. Aprendi a fazer tudo a todo os instantes como se fosse a última vez”.
Hélio afirma que se sente honrado de fazer parte da história do basquete de Franca e tem orgulho de ver o filho Helinho dando sequência ao seu trabalho. “Temos uma tradição muito grande que tem que ser mantida. Somos a capital do basquete não só pelo tempo não. Somos a cidade que tem o maior número de títulos conquistados na história”.
O eterno capitão finaliza afirmando que não consegue imaginar como seria sua vida fora do basquete. “Aprendi a viver intensamente o momento presente. Aprendi que treino é jogo, jogo é guerra”.
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