Geração mimimi


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Na edição de 08 de fevereiro deste Comércio, com o título Quero descer, procurei tratar do exagero de alguns com o que, atualmente, se convencionou chamar de politicamente correto. Músicas carnavalescas e até infantis que foram eternizadas agora estão proibidas, por conterem, na interpretação de muitos, conteúdos racistas, homofóbicos, misóginos ou por estimularem as crianças a ter um comportamento agressivo. O historiador Leandro Karnal foi severamente criticado nas redes sociais pois, em resposta a uma pergunta de um repórter, ele asseverou que o maior medo da vida dele não é o de morrer, mas o de ficar cego.

Em recente viagem, uma pessoa do nosso grupo de excursão e que disse me honrar com a leitura dos meus textos aqui publicados, também disse discordar totalmente do meu ponto de vista no artigo acima referido, pois para ela muito ainda precisa ser mudado para que o nosso povo alcance um patamar ideal, sob a sua ótica, do politicamente correto.

Registro que quando torno público um texto de minha autoria, tenho a plena consciência de que terei apoiadores e contrários ao meu ponto de vista, mesmo porque o ideal para quem escreve é ser lido, ainda que seja para discordar.

No entanto, para espancar qualquer eventual dúvida, registro, novamente, que condeno veementemente qualquer tipo de manifestação de natureza racista, preconceituosa, homofóbica, xenofóbica ou de misoginia.

Mas comungo do pensamento do filósofo Luiz Felipe Pondé, quando afirmou em uma palestra que nunca soube que uma criança tenha agredido um gato, apenas e tão somente por ter escutado a música, Atirei o pau no gato. Ou seja, há na visão do filósofo citado, uma Geração Mimimi, em torno do politicamente correto, porém com muito cinismo e muita hipocrisia.

Há, a meu ver, uma expressão da língua portuguesa, que em seu sentido figurado, talvez defina melhor o meu pensamento em relação ao tema em foco. A palavra é alfenim, que significa pessoa delicada, melindrosa, ou seja, que tem a sensibilidade à flor da pele.

 

Setímio Salerno Miguel
Advogado Empresarial e Professor da Faculdade de Direito de Franca

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