Graduada em química pela USP de Ribeirão Preto; mestre em química inorgânica pela mesma universidade; doutora pela Unesp Araraquara e Pós-doutora pela Universidade de Salamanca, na Espanha. Essas são as formações da mulher responsável pela reitoria da Unifran (Universidade de Franca), Kátia Jorge Ciuffi.
Apesar de não ter nenhuma formação pela universidade francana, a relação da mulher com a faculdade é extensa. Ocupando o cargo de reitora há dois anos, Kátia também é professora pesquisadora, além de atuar na Unifran há 22 anos, onde passaou por diversos cargos de gestão.
O trabalho tem dado resultado. É o que mostra o ranking de universidades da Folha de São Paulo. “O ranking é muito sério. Somos a quinta melhor universidade privada do Estado e a melhor num raio de 300 quilômetros”, disse. “Tiramos dois lugares da USP. “Nós temos muito orgulho do que estamos fazendo.” Além disso, a universidade chegou aos seus 50 anos, comemorando o seu jubileu de ouro, no último dia 26 de janeiro.
Em comemoração aos 50 anos da universidade, existe a intenção de implementar novos projetos ao longo do ano?
Com certeza. Teremos duas novidades bem bacanas. Na primeira nós vamos parar a universidade em determinadas semanas para dar a resposta para sociedade sobre um grande projeto. Por exemplo, uma indústria tem um problema ou alguma produção parada. Então nós vamos interromper os cursos para que os alunos possam suprir essa demanda. Nós precisamos formar os alunos por meio de casos reais. Temos a pretensão de trazer todo mês um novo evento. Outra coisa é que estamos muito preocupados que as licenciaturas no país estão acabando. Então como vamos formar jovens bem formados se ninguém tem mais interesse na licenciatura? Até o governo deixou de prover bolsas pra esse tipo de formação. Então, a Unifran, como presente por seus 50 anos, aqueles que passarem no processo seletivo do curso de letras, terão matrícula zero e um desconto de 50% até o fim do curso. Ou seja, ficará mais barato que um curso a distância. É o preço de uma pizza por semana. A ideia é oferecer um curso superior, numa área carente no país, e que estamos dando de presente para o francano. Teremos um retorno que é ter um profissional de ponta para melhorar a cidade de Franca.
A respeito do retorno para a cidade, o quanto é interessante manter o profissional, recém-formado pela universidade, em Franca?
Hoje até mudamos a missão da Unifran. Nossa missão é preparar nossos alunos para que eles possam responder os desafios internacionais e nacionais. Eu não posso formar um aluno que resolva apenas os problemas de Franca, mas ele precisa melhorar o entorno da universidade. Então estamos pensando muito nisso. Queremos formar esse aluno de uma maneira humanística, mas preocupados com o entorno. Hoje não existe mais uma faculdade desconectada do seu município. A Unifran está em Franca. É a única universidade com qualidade de Franca (o Uni-Facef e a FDF são centros universitários e a Unesp é estadual). Então tem que ser muito importante para região que nós estamos, se não, não existe razão de estarmos aqui.
E o interesse em manter os alunos na própria universidade?
Nós temos muitos casos assim. Hoje temos coordenadores que são egressos da nossa casa. Temos pesquisadores importantíssimos dentro da Unifran e temos orgulho, porque é importante termos professores formados aqui. No dia do nosso aniversário, nós tivemos um depoimento muito lindo de uma professora top que nós temos aqui, que nem sabia que eu iria chamá-la e ela veio emocionada para falar que fez graduação aqui, voltou como professora e hoje é pesquisadora. Então eu acho que não existe nenhum estímulo melhor. Temos vários casos aqui.
Existem parcerias da universidade com outras escolas, a fim do aluno ter um bom ensino desde o início?
Nós já temos várias. Temos, atualmente, por exemplo, uma iniciação científica júnior, que é um projeto que temos junto com o CNPQ (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), onde o governo oferece uma bola de R$100 para o aluno vir até a universidade para desenvolver pesquisas. Então imagina, alunos de ensino médio, desenvolvendo pesquisas de alto impacto. E nós vimos que era difícil para o aluno se transportar até a universidade, então nós fornecemos isso. Além disso, o certo era termos alunos vindo uma vez por semana, mas temos alguns que vem cinco dias. E isso somente de escolas públicas. E, neste ano, teremos concretizado também o nosso cursinho popular. Teremos o UniTodos para pessoas que não tem oportunidade de pagar o curso. Estamos fazendo uma inserção social. No nosso processo seletivo tivemos 300 inscritos para 50 vagas. É um processo muito sério, com professores e alunos da Unifran envolvidos.
A senhora citou sobre esse interesse dos alunos do ensino médio. A Fepro (Feira de Profissões) vem auxiliando no estímulo desses jovens?
Temos um retorno muito bom dos alunos e das escolas. Tem jovens que contavam não ter ideia do que cursar ou já haviam desistido de estudar. E vemos que muitos desses que vieram para Fepro, hoje são nossos alunos. Há também aqueles que foram pra outras universidades, mas isso não nos importa. O que nos interessa são pessoas com educação e que façam a diferença no nosso país. É muito importante isso.
Boa parte dos alunos egressos do ensino médio sonham com uma federal. O que a Unifran faz para poder chamar a atenção desses jovens?
Temos que mostrar qualidade do nosso aluno e também do nosso egresso. Porque o que vemos é que o aluno será apenas um número numa pública. Aqui, não. Aqui nós damos uma atenção. Hoje, por exemplo, eu tenho uma egressa que é chefe de um setor do Síncontron (instituição brasileira de pesquisa em física, biologia estrutural e nanotecnologia), em Campinas. Então estamos mostrando que nossos alunos são diferenciados. O grande diferencial da Unifran é que formamos por meio de pesquisas. Em todos os setores nós temos laboratórios.Estamos formando esse aluno com inovação e temos essa atenção. E, por sermos uma universidade privada, somos muito rápidos. As públicas dependem de legislação governamental, é tudo muito lento. Nós temos autonomia universitária.
A respeito dessa atenção, por conta da quantidade de cursos, como é possível estar atento a todos os alunos?
Por isso que não trabalhamos sozinhos. Uma universidade tem uma estrutura muito regulamentada. Por exemplo, nós temos reitoria, pró-reitoria, coordenadores. Cada coordenador tem que levar o seu curso para longe. E temos que ficar ali olhando toda essa estrutura. Uma universidade não pode ficar a solta. Então temos várias pessoas trabalhando conosco.
Quais cursos vem chamando mais a atenção?
Direito, contabilidade, administração de empresas têm se destacado bastante.
E quais a senhora nota que precisam de uma melhora ou que tem baixa procura?
As licenciaturas, que sabemos que são muito boas, mas as pessoas são jovens, tem outras metas e continuam olhando para os cursos tradicionais. Eu acho que um pai as vezes se preocupa com a escolha dos filhos e quer direito, medicina, que são cursos tradicionais. Então temos trabalhado muito fora da Unifran para mostrar os demais cursos. Nosso papel é mostrar que se não tivermos licenciatura, esse país não vai pra frente. Precisamos de professores bem formados.
Os cursos a distância vêm chamando a atenção pela facilidade. A senhora notou um aumento na procura?
Muitas pessoas trabalham. Muitas pessoas estão muito longe. Mas eu falo que nós temos muito orgulho, porque a Unifran no Cruzeiro do Sul é uma das que os EaD tem o maior número de alunos. As pessoas querem a marca Unifran. É uma marca muito forte. Em Uberlândia, por exemplo, olha a distância que estamos, eles querem cursar na nossa universidade, não querem fazer outra a distância. E hoje o mundo está difícil, com as distâncias, as pessoas que trabalham. Então essa é uma maneira das pessoas continuarem seus estudos.
Sobre esses casos de pessoas de outras cidades, quantos alunos hoje vem de fora?
48% dos nossos alunos são de fora. E estamos trabalhando nisso. Queremos alunos que tenham orgulho de estar na Unifran. Eu falo para esses alunos, você tem que vir aqui e não ir embora mais. Aproveitar tudo que tiver. Temos hoje equipamentos que as universidades públicas não tem.
Por estar em ano comemorativo, houve um investimento para 2020?
Sim. Ano a ano a universidade vem investindo cada vez mais pesado. Esse ano, por exemplo, nós aumentamos o quadro de doutores. Temos hoje quase 90% de doutores e, quando sai um mestre, tem que ser doutor (para entrar). Isso é um investimento. Além disso, o bloco bege está sendo totalmente remodelado para ofertar tanto para os alunos de graduação, onde o laboratório de química foi reformado, quanto os laboratórios de pesquisa. E você vai andando para Unifran e consegue ver, esse campus é muito grande. Quando vejo o investimento aqui, é altíssímo. Somos um universo de 60 mil pessoas. Somos maiores do que a USP de Ribeirão Preto.
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