No país cresceu no ano passado em 7,3 % o número de mulheres assassinadas por seus companheiros pelo simples fato de pertencerem ao sexo feminino
Mesmo em tempos de feminismo a todo vapor no mundo, e de alguns avanços no cuidado do Estado em relação às suas mulheres, ainda há muito o que conquistar para que se possa viver numa sociedade onde vigore a igualdade de oportunidades e o respeito de homens em relação às mulheres. Diariamente somos confrontados com histórias de violência de gênero em algum ponto do país.
São casos que pelo grau de malignidade chegam à mídia e se tornam conhecidos em todo o território nacional. É a farmacêutica que ficou paraplégica depois de um tiro à queima-roupa do marido agressor. É a vendedora esfaqueada mais de vinte vezes pelo namorado que dela deveria manter distância de acordo com a lei. É a passageira surpreendida dentro do ônibus por um homem ejaculando em seu pescoço. É a vereadora trucidada com dois tiros ao sair de uma reunião onde havia convocado as mulheres a se unirem a favor de suas liberdades e direitos. São as prostitutas e as travestis espancadas e mortas nas praças e becos das cidades. Violências, existem muitas. Mas o feminicídio assusta mais. Em 2019, o Brasil teve alta de 7,3% neste tipo de crime. A pesquisa foi realizada pelo portal G1, que coletou os dados oficiais de todos os estados brasileiros e fez uma comparação com o ano de 2018. Os resultados foram divulgados no último dia 5. No ano passado, chegamos ao impressionante número de 1.314 vítimas. Para calcular a quantidade de mortes, uma parceria importante foi com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública e o Núcleo de Estudos da Violência da USP. O programa é intitulado Monitor da Violência.
Quando esses números vêm à tona, causando perplexidade geral, autoridades aparecem para dizer que é importante fortalecer e investir em políticas de educação voltadas à equidade de gênero e na valorização da dignidade e dos direitos humanos das mulheres. São palavras retóricas, porque na prática veem-se poucos avanços e muitos maus exemplos, a começar do presidente da República, useiro e vezeiro em desqualificar o sexo feminino, ou da ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, cujo discurso religioso parece emergir da Idade Média e coloca a mulher numa eterna subserviência ao homem, o que a limita, empobrece e humilha.
Presente no mês passado em Santiago do Chile, na XIV Conferência Regional sobre Mulheres da América Latina e Caribe, Damares Alves foi contestada pelo auditório (que lhe deu as costas!) ao dizer que “o Brasil é o melhor lugar do mundo para se nascer mulher.” Quase à mesma hora uma pesquisa indicava que a cada quatro minutos uma mulher é agredida por um homem em alguma região brasileira e a cada sete horas, uma mulher é aqui assassinada por maridos, namorados, amantes, companheiros que as matam pelo simples fato de que são mulheres.
A se constatar a falta de políticas públicas que atentem de forma objetiva, séria e justa para isso, 2020 vai superar o ano anterior nessas barbáries.
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