Busco sabedorias. Desenvolver um órgão de sentimento que me ajude a discriminar o que fomenta conexões; que me acrescente vivências emocionais capazes de me transformar; que seja instrumento de aprendizagem do que sou/ não sou (é/não é): uma lanterna mágica (não a de Diógenes) que ilumine o que devo guardar e o que descartar; revele o que deforma minhas percepções.
Um bebê, dois meses, dorme, ao meu lado. Confiante, respiração ritmada, sem mexer um músculo. A mãe o pega, logo que espreguiça - braços, pernas, feições do rosto. Ele aconchega-se: bichinho arredondado encarapitado. Sua mãozinha aferra na protuberância materna. O cheiro do leite guia aquela mãozinha. A mãe lhe diz – você está com calor. Reconhecendo seu gesto, acrescenta – quer mamar? Oferece o seio, em pé, embalando-o. Rápido, ele abocanha.
Baita sabedoria. Não é conhecimento racional. É uma empatia possível entre uma jovem mãe e um serzinho totalmente dependente, que vai reconhecendo o mundo, à medida em que há um outro ser que o reconhece em suas necessidades e desejos.
Lanterna mágica!
Aguardo um psicanalista que também gosta de lanternas mágicas. Ele se chama Renato Trachtenberg, vem de Porto Alegre. Tem dois livros publicados em co-autoria e muitos artigos que estão em muitos livros (capítulos em livros com edição internacional). Quem me lê agora, pode tê-lo visto/ouvido, ontem, sexta-feira, na Facef, em uma palestra: Novo modelo para uma psicanálise complexa. Sábado, em seminário clínico.
Eu o vi uma vez, em Congresso. Por escrito, reconheço-o. Estamos juntos em um livro: cada um com um capítulo, somando a colegas psicanalistas paulistanos - organização de Cláudio Castelo Filho – Sobre o Feminino, 2018.
Reconheço um fio que nos liga à sabedoria desta jovem mãe, que percebe/pressente/usa o pressentimento/compreende/ forma humano ser.
O órgão do sentimento para reconhecer sabedorias? Intuição, complexa percepção/árduo esforço de discernimento.
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