PESQUISA CIENTÍFICA

Estudantes descobrem que dengue deixa de herança dor de cabeça crônica


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As estudantes de medicina do Uni-Facef, Letícia Volpe de Abreu e Cecília Barbosa de Oliveira, estão à frente de uma pesquisa pioneira
As estudantes de medicina do Uni-Facef, Letícia Volpe de Abreu e Cecília Barbosa de Oliveira, estão à frente de uma pesquisa pioneira

Duas jovens estudantes universitárias com a orientação de um professor especialista no assunto encabeçaram recentemente um estudo sobre dores de cabeça diárias após a infecção por dengue. Elas descobriram que o vírus pode deixar sequela neurológica em algumas pessoas. Aos 26 anos de idade, Cecília Barbosa Oliveira e Letícia Volpe de Abreu, do 6º ano do curso de Medicina da Uni-Facef, ganharam destaque internacional com o tema. A elaboração do artigo científico iniciado em 2015, com pacientes de Franca, levou o título de New Daily Persistent Headache Following Dengue Fever: Report of Three Cases and an Epidemiological Study e foi publicado pela conceituada revista da área, a Headache – The Journal of Head and Face Pain.

O último dado divulgado sobre a dengue em Franca aponta que a cidade registrou a maior epidemia da sua história com mais de 10,3 mil casos da doença em 2019, incluindo uma morte. Até o dia 18 de fevereiro deste ano, a Secretaria de Saúde do municipio revelou que haviam sido registradas 44 notificações suspeitas de dengue na cidade. Do total, 11 deram negativo, mas 29 ainda aguardavam o resultado. Por conta destes índices, as universitárias se sentiram motivadas para abordar o tema. “A dengue foi escolhida para o estudo pois é uma doença que tem grande incidência na nossa região e faz muitas vítimas. Com o passar dos anos percebemos que essas arboviroses (dengue, zika e chikungunya) podem ter relação com várias doenças neurológicas e isso nos chamou a atenção. Cada vez mais se estuda as consequências das dengue a longo prazo e, através deste estudo, podemos conseguir também convencer a população e os políticos para promover políticas públicas de prevenção e curar quem já tem alguma consequência da dengue ou está sofrendo com a infecção no momento”, destaca Cecília.

O orientador do artigo cientifico foi Carlos Alberto Bordini - mestre em Neurologia pela USP, Doutor em Neurologia pela USP, presidente da Sociedade Brasileira de Cefaleia, ex-presidente da Asociacion Latinamericana de Cefalea Fellow da American Headache Society e professor de neurologia no curso de Medicina da Uni-Facef. “Nosso orientador é um dos maiores pesquisadores e autoridades em cefaleia da América Latina”, destacam Cecília e Letícia. Com 35 anos de atuação, ele pode direcionar as universitárias nos estudos. Carlos enfatiza que Franca precisa de estímulos para desenvolvimento de pesquisa e que a cidade tem potencial. “Vamos colocar Franca no mapa das pesquisas biológicas”.

O estudo foi aprovado pela comissão de ética da Uni-Facef e, em seguida, entraram em contato com o secretário de saúde. As universitárias tiveram acesso a 600 casos de pacientes com dengue desde 2015. Destes, 450 foram entrevistados e três mulheres relataram a mesma dor após a infecção. “A dengue pode ser um fator associado a este tipo de dor de cabeça. E essa dor que elas tem afeta em tudo. Nas relações íntimas, no trabalho, nas relações sociais e é algo bem debilitante para muitas pacientes”, diz Cecília. 

Descoberta

Muitos pacientes contatados relataram a perpetuação de alguns sintomas após a dengue. Dentre as quais, essa dor de cabeça, que é uma dor rara.

Cecília explica que o segundo fato que se destacou na pesquisa foi que as pacientes, ao serem avaliadas pelo neurologista e descobrirem que sua dor de cabeça tinha um padrão e uma relação com a infecção, sentiram de certo modo que sua dor foi compreendida. “Muitos pacientes com dor de cabeça são desacreditados por familiares, amigos e empregadores que pensam ser alguma desculpa. Sendo que na realidade a dor de cabeça tem um impacto emocional, social e econômico muito grande na vida dos portadores”, disse Cecília.

As estudantes acreditam que qualquer pesquisa na área cientifica na contemporaneidade é muito importante, pois há uma difusão muito grande de informações. Todavia, nem sempre elas são verídicas. “A ciência tem o objetivo de trazer através de suas metodologias, do seu olhar crítico, luz as coisas, ampliar e questionar padrões. É importante estimular pesquisa principalmente na universidade, desde os primeiros anos, com o objetivo de ajudar as pessoas e mostrar que mesmo por meio de sintomas, doenças ditas como comuns, como dor de cabeça, podem gerar estudos grandiosos e ajudar no dia a dia. Isso pode ser algo para ajudar que as pessoas tratem mais a prevenção da dengue”, enfatiza Letícia.


Prof. Dr. Carlos Alberto Bordini - MD, PHD, FAHS, docente da Uni-Facef, foi o orientador responsável pelo artigo científico sobre dores de cabeça diária após a infecção por dengue


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