Eleição limpa


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A eleição municipal somente ocorrerá em 4 de outubro, mas em Franca os boatos já proliferam, dando conta de possíveis candidaturas e alianças partidárias até então inimagináveis.

O dicionário de Aurélio Buarque de Holanda define, para o substantivo masculino boato, o seguinte: “notícia anônima que corre publicamente sem confirmação, ruído, rumor, zunzum, zunzunzum”. Nos dias atuais, com as novas mídias sociais, a multiplicação dos boatos é potencializada, sendo que o nome também mudou de boato para fake news.

Se ainda a mais de sete meses das eleições a boataria já corre solta, imagina-se que mais próximo do pleito haverá um aumento substancial deles, podendo até interferir no resultado do pleito.

Com estre cenário, cabe à Justiça Eleitoral apurar e punir os transgressores, principalmente daqueles que lançam inverdades sobre a conduta pessoal, familiar e profissional de um candidato, com o propósito claro de denegrir a sua imagem perante o eleitor.

Um fato que merece ser retratado e que comprova o efeito devastador de um boato em tempo de eleição me foi contado por um amigo e teria ocorrido em pequena cidade do interior de Minas Gerais. Segundo consta, em um pleito municipal, uma semana antes da eleição, um dos candidatos a prefeito detinha larga vantagem em relação ao segundo colocado. Tinha a eleição como ganha, tamanha era a sua dianteira em relação ao seu opositor.

Porém, no decorrer da última semana do pleito, espalhou-se pela cidade, como um rastilho de pólvora, a notícia de que o candidato, líder nas pesquisas, teria afirmado em um evento reservado, que “não necessitava dos votos dos pobres para ganhar a eleição”.

Evidentíssimo que foi um boato plantado e que se espalhou rapidamente pela cidade, cujo resultado foi a improvável eleição do até então segundo colocado nas pesquisas.

Isso é inconcebível, pois ninguém pode se beneficiar da própria torpeza.


Setímio Salerno Miguel
Advogado Empresarial e Professor da Faculdade de Direito de Franca

 

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