Nossa economia permanece no patamar de 2013, mas isso não preocupa o presidente que encarregou um palhaço de falar sobre o PIB e outros de atirar bananas em jornalistas
O PIB é um indicador usado na macroeconomia. A sigla significa Produto Interno Bruto. Ela revela a soma de todos os bens e serviços finais produzidos por um país, estado ou cidade, geralmente em um ano. Todos os países calculam seu PIB nas suas respectivas moedas. Esse número, dividido pelo de habitantes do lugar pesquisado, fornece a renda per capita, aquilo a que cada um faria jus se houvesse divisão equânime entre todos. No Brasil, o PIB do ano 2019 foi divulgado na quarta-feira. Ficou em 7 trilhões e 300 milhões de reais. A renda per capita, em R$ 31.833,50.
As cifras significam que a economia brasileira desacelerou no primeiro ano do governo Jair Bolsonaro. O PIB do país cresceu 1,1%, na comparação com o ano anterior, no terceiro ano seguido de alta. Mas o crescimento ficou abaixo do registrado nos dois anos anteriores (1,3%), quando a economia já tinha andado em marcha lenta. Segundo o IBGE, com o resultado de 2019, a economia ainda está no patamar de 2013. É a mais fraca recuperação de recessão já registrada no Brasil. O instituto calcula um índice usando como base o início da série histórica do PIB. O índice em 2019, de 171, é o mesmo de 2013. Ele é menos da metade do projetado inicialmente pelos economistas em dezembro de 2018. Às vésperas da posse do presidente Jair Bolsonaro, analistas do mercado financeiro renovavam aposta na retomada de crescimento de 2,55%. Em dezembro passado, o presidente cobrou de Paulo Guedes “um PIB de 2,0”, o que muitos viram com pessimismo. Como se pode constatar, ficou muito aquém. É claro que acontecimentos inesperados, como o rompimento da barragem de Brumadinho e a crise dos EUA com a China foram fatores consideráveis na dinâmica da economia brasileira. Mas não os decisivos.
Embora Paulo Guedes tenha dito, diante da divulgação do PIB, que tudo está dentro do previsto e que “à medida que as reformas forem acontecendo, e elas vão ser implementadas, o Brasil vai reacelerar”, há dúvidas e preocupações no horizonte próximo. Porque uma das condições para o país sair da marcha lenta será a aprovação das reformas- a administrativa e a fiscal em primeiro lugar. Elas serão essenciais para recuperar a confiança dos investidores, que recuaram diante das dificuldades iniciais para aprovação da Reforma da Previdência. A postura excêntrica do presidente, suas agressividade em relação aos parlamentares, sua fala muitas vezes estapafúrdia e mesmo ignorante, são catalisadoras de desconfiança entre investidores externos e internos.
Há cerca de onze milhões de desempregados que são indicadores, tanto quanto o PIB, de que a economia não avança. Em lugar de se inspirar em Chacrinha, numa cena tosca defronte do Palácio do Planalto, o presidente Jair Bolsonaro deveria gastar suas energias pensando neles, a quem fez promessas de emprego em sua campanha. Se a economia não girar, esses milhões continuarão se arrastando na periferia da vida, com perda paulatina da dignidade, que é o maior bem que o ser humano possui.
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