O circo Tihany começou suas apresentações em Franca nesta sexta-feira, 28, mas o que muitos não sabem é que ele teve origem no Brasil. Seu fundador Franz Czeisler, húngaro de família judia, fez da mágica o refúgio para a perseguição nazista que sofrera em meados dos anos 50. Seu irmão, inclusive, foi morto em um campo de concentração.
O mágico conseguiu embarcar em um navio junto com a família e alguns colegas artistas, rumo ao Brasil. Já em terras tupiniquins, teve dificuldade para conseguir um local ideal para suas apresentações. Até que se deparou com uma pequena tenda, embaixo de um viaduto, onde havia apresentações com marionetes. Foi nesse cenário que fez sua primeira apresentação sob uma lona, que chamou de “Circo Mágico Tihany” (nome da sua cidade natal).
A iniciativa de apresentar um show de mágica sob uma lona foi inovadora, transformando o circo de picadeiro em algo semelhante a um teatro. Além de deixar de lado o uso de animais, para dar lugar a magia, ilusionismo, balé e etc.
Tihany, como passou a ser conhecido, acrescentou ao nome do show “o rei dos ladrões” que atraiu muitos curiosos e ajudou a impulsionar rapidamente seu espetáculo. Com essa ascensão em poucos meses e já com uma tenda maior que aquela das marionetes, o mágico quis alçar novos voos. Partiu em direção a Cidade do México e posteriormente aos Estados Unidos, onde, em Las Vegas, atingiu seu ápice.
Após 10 anos angariando artistas de diversas regiões do mundo e com influência direta do cenário Veguense, retornou ao Brasil. E o então, “Circo Mágico” passou a se chamar “Spetacular”. Mas não só o nome que mudou. “Tihany Spetacular” ganhou uma cara ainda mais particular, com cenário luxuoso, confortável ao público e apresentações que condiziam com o título dado.
Essa estrutura luxuosa e acolhedora é característica ainda hoje, como conta o atual mágico e diretor executivo, Richard Massone.. “Quando se entra no Tihany, já se percebe a estrutura com carpete, veludo, ar condicionado, brilho, conforto e um grande show, acima de tudo!”.
Richard, na sua infância, era um grande fã de Tihany e depois trabalhou com ele por longos anos, até o falecimento de seu mestre. Hoje ele é o responsável por manter as tradições do fundador.
Bastidores
Massone, argentino de nascimento, contou um pouco sobre aqueles que ajudam a fazer o espetáculo acontecer. “Na companhia são mais ou menos 130 pessoas entre artistas, bailarinas e técnicos (montagem, manutenção, mecânicos, eletricistas, marceneiros, soldadores, iluminadores), todos de diversas nacionalidades”.
Quando perguntado se a maioria dos artistas e colaboradores tem origem no circo, o mágico conta que “não necessariamente” são de família circense. “Temos muita gente jovem que agora está fazendo sua família junto ao circo (começam a namorar ou casam). Essa semana mesmo nasceu o filho de um acrobata cubano, lá na Inglaterra”.
Em contraponto, o palhaço brasileiro Rodrigo Garcia, que compõe o elenco do show, é 5ª geração circense de sua família.
Sobre sua própria experiência em mais de quatro décadas de atividade, Richard lembra das longas jornadas. “Já trabalhei muito, muitas horas, por muito tempo. Era muito inquieto, queria estar ajudando em todas as áreas, não só no palco. Aprendi a fazer de tudo. Agora nos últimos tempos estou relaxando um pouco. É quase uma lei da vida, tenho que seguir caminho. Se continuar fazendo, não terá quem faça depois. Agora é passar o legado para que outros continuem”.
“Agora minha vida é um pouco mais tranquila. Não mexo mais com a produção, mas sempre vou ao palco. Também já fui diretor artístico, agora não mais. Há pessoas muito boas que cuidam para que as coisas aconteçam”, concluiu.
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