Uma marca a ser batida. Um exemplo a ser seguido. A Escola de Samba Ases do Ritmo credita o pentacampeonato do Carnaval francano 2020 à união e o esforço em família. Mas a receita mesmo é trabalhar o ano todo e ser gerida como uma empresa.
“Temos uma escola tradicional em Franca e uma nação que gosta de fazer carnaval. É um trabalho anual e a gente administra a escola como uma empresa. Temos que também nos espelhar aonde está fazendo o melhor Carnaval. Na região era Batatais até pouco tempo. Depois de Batatais fui conhecer o Carnaval de São Paulo, da Mocidade Alegre, que me deu novo parâmetro. Vi que poderia ser igual e a Ases está entendendo como que é esse trabalho”, destaca Regis Augusto Rosa, presidente da Ases.
“Todas as escolas fazem promoção, a verba pública é importante, mas a organização precisa ser como a de uma empresa mesmo, em todos os setores. Já estamos trabalhando um novo enredo. Hoje é tudo muito rápido, piscou ficou pra trás”, acrescentou.
A Ases foi fundada em 1974, mas ficou um período de 15 anos inativa, voltando a descer a avenida em 2010. Mesmo assim é a recordista de títulos na cidade, com 16 conquistas em sua história de 46 anos. “Quando a Ases voltou, quando a gente reiniciou, o projeto era esse, um trabalho para mostrar que Franca merece ter um carnaval digno”, disse Régis.
A Ases teve um gasto de R$ 65 mil nesse Carnaval. Além dos R$ 45 mil repassados pela Prefeitura Municipal, a escola aportou mais R$ 20 mil, verba referente a eventos e promoções realizadas ao longo do ano. “Gastamos 65 mil, apesar da verba da prefeitura ser 45 mil, a escola realiza promoções, temos a nossa “Ala Show” que realiza eventos durante o ano inteiro para podermos ter um outro meio de conseguir suprir as nossas despesas a mais. Também realizamos vendas das fantasias do carnaval anterior para poder completar o valor que foi gasto neste ano”, explicou Mariana Rosa Candido, tesoureira da escola.
Mariana também foi presidenta da Ases, conquistando três títulos (2017/2018/2019) em sua gestão. Ela conta que o segredo do sucesso da escola é a união. “Temos que agradecer a união de todos e a comunidade Ases do Ritmo, que está sempre conosco faça chuva ou faça sol com um só objetivo: o nosso pavilhão. Essa é a diferença da família vermelho e branco. Gostaria de parabenizar também as outras escolas que a cada ano vem potencializando o nosso carnaval”.
A escola desceu a Passarela do Samba “José Renato Rosa” no último domingo, com 300 componentes. Mas pelo menos 50 pessoas trabalharam o ano todo no processo de confecção das fantasias e carro alegóricos.
Como em toda comunidade que representa uma agremiação, há diversos perfis de integrantes. A cabeleireira Viviane Rodrigues, 38 anos, é uma dessas colaboradoras que juntamente com sua mãe e uma irmã, ajudam a colocar a escola na avenida. “A gente trabalha praticamente o ano inteiro, mas no últimos mês é que aceleramos a preparação das fantasias. Minha casa vira um verdadeiro ateliê. A gente tem um amor muito grande pela escola e o objetivo é sempre fazer bonito na avenida. O título é uma consequência de nosso trabalho e isso não tem preço”, disse Viviane, que além de ser diretora de uma das alas da escola, também desfila.
A cabeleireira confeccionou as fantasias para sua ala inteira, que representava “os negros que já foram escravos. “Foi um trabalho árduo já que as fantasias tinham detalhes com pedras e nossa ala desceu a avenida com 20 integrantes. Mas o resultado não poderia ser melhor”.
A escola vermelho e branco não tem uma sede própria e os ensaios são divididos em vários locais, sendo no Jardim Paraty, em um barracão no Parque Progresso onde a Ala Show se prepara durante o ano todo. Outra parte se concentra na Vila Aparecida, berço da escola.
HISTÓRIA
A Escola de Samba Ases do Ritmo (Associação Educacional do Samba) fundada em 20 de novembro de 1974 na Zona Leste da cidade aos arredores da Igreja Nossa Senhora Aparecida (Capelinha), localizada no bairro Santo Agostinho. Seu pavilhão leva as cores vermelha e branca. É representada pelos quatro ases do baralho.
Neste ano, a escola desceu a Passarela com o tema: “Na trilha do Ouro Verde, a saga de uma nação”, que falou sobre os nobres grãos do café, bebida com larga produção na região de Franca, sendo campeã com 79 pontos.
A vice-campeã foi a Aliados da Santa Cruz com 76 pontos. A Filhos de Gandhi ficou em terceiro com 74 pontos, seguido de Embaixadores da Estação com 69,75, e Águias Douradas com 69,25.
A sexta escola a desfilar este ano foi a Caprichosos da Estalagem, que ficou um período inativa, e não concorreu ao título.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.