PREOCUPAÇÃO

Caos no Cemitério Santo Agostinho provocam transtornos


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Imagens feitas na última semana no Cemitério Santo Agostinho: chuva dos últimos meses fizeram os problemas do local ficarem ainda mais evidentes
Imagens feitas na última semana no Cemitério Santo Agostinho: chuva dos últimos meses fizeram os problemas do local ficarem ainda mais evidentes

Com 10,8 mil sepulturas em seus 53 anos de existência, o Cemitério Santo Agostinho é uma referência na cidade. Apesar disso, o local vem sendo um foco de problemas. Nas chuvas dos últimos dias, a lama suja, carregando até flores, escorreu pela avenida e invadiu as lojas que ficam em frente ao cemitério; túmulos foram abertos por buracos provocados pelas águas e até um caixão virou durante seu sepultamento numa cova encharcada. Agora, a prefeitura garante que em dias de chuva vai colocar coberturas para evitar que a água entre nos túmulos. Mas os temporais dos últimos meses não são os únicos vilões.

Construída para abrigar mais 600 túmulos há pelo menos uma década, uma obra será completamente demolida porque foi feita sem fundação e a administração não conseguiu localizar o projeto original da construção. Os túmulos mais antigos também precisam de intervenção. Com o tempo, seus tijolos começaram a ceder e, por isso, a aguá invade e forma buracos no local. O problema é que em muitos deles não se sabe quem são os proprietários. Com dados desatualizados, fica impossível a manutenção nas sepulturas particulares. Problemas antigos que, a princípio, estão longe de receberem alguma solução.

Antigos, túmulos são abertos com as chuva
 
Na chuva de quarta-feira, 5, dez túmulos foram abertos por buracos formados pelas águas. O problema, no entanto, não é novo. Recorrente em fortes chuvas, se deve ao tempo de existência de boa parte das covas, algumas com até 50 anos. De acordo com a administração do local, com o tempo os blocos que envolvem as sepultaras ficaram frágeis e cederam.
 
Dez dias após o ocorrido, ainda existem túmulos que não receberam a manutenção, já que é necessária a autorização e pagamento de taxa dos proprietários do túmulo para que não haja nenhuma reclamação de familiares.
 
Segundo o secretário de Obras e Meio Ambiente, Adriano Tosta, além da data de algumas sepulturas, problemas como a arenosidade e o declive do terreno pioram o cenário. “Infelizmente é um problema estrutural que, pelo menos neste momento, não há como fazermos nada”, diz.

Ao menos 10% dos particulares têm dados desatualizados

 Para que a administração possa realizar qualquer reparo em áreas particulares do cemitério, é necessária autorização dos proprietários dos túmulos. No entanto, de acordo com a administradora do local, Adilce Silva, pelo menos 10% dos túmulos particulares estão com contatos desatualizados, inviabilizando o processo de reparos.

Para reduzir o problema, o secretário Adriano Tosta solicita que, quando qualquer mudança de telefone e endereço for realizada, as pessoas procurem a administração do cemitério para atualização dos dados. “Muitos túmulos estão com os dados desatualizados, telefones que não atendem.”

Sem autorização dos proprietários, nenhum reparo pode ser feito, ainda que as condições do túmulo sejam precárias.

Sem segurança, cemitério vira alvo de ladrões
 
A falta de segurança também é um problema grave no Cemitério Santo Agostinho. Grande parte das sepultaras que possuíam gravuras de bronze já não tem mais. Foram furtadas. Uma das prejudicadas foi a aposentada Oripia Josefa, que precisou refazer toda gravação na sepultura do seu marido, Dijalba Pimenta. Ela conta que tentou falar com a administração do local na época, mas nada pode ser feito. “Lá não tem como reclamar com ninguém, já que eles dizem que não tem como vigiar. Isso fez com que diversas pessoas deixassem de colocar novamente.”
 
Até agora, nenhuma segurança foi colocada no local. O alento é que, após teste piloto no Cemitério da Saudade, o Santo Agostinho deve receber futuramente uma equipe de segurança para proteger as sepulturas. “Estamos agora tentando abrir a licitação para colocarmos serviço no Santo Agostinho, onde ainda não temos a ronda efetiva.”

Bocas de lobo entopem e lama invade avenida
 
Afetando não só os túmulos, mas também as vias e comércios da avenida Presidente Vargas, o lamaçal formado em decorrência das chuvas é mais um dos problemas do cemitério Santo Agostinho. A lama, que deveria escoar pelas bocas de lobo que cercam o local, acabam entupindo as tubulações e, por conta do declive na região, descem pela avenida e invadem as lojas que ficam em frente ao cemitério.
 
De acordo com o proprietário da SuperCar Multimarcas, Waldson Dim, tem sido comum ver seu estabelecimento ser invadido pela água suja que escorre do cemitério. “Essa água é bem suja e é complicado porque você não sabe se pode pisar, já que é algo que vem de cemitério. Além da lama, tem até flores que vêm dos túmulos. Suja muito a loja, que no dia seguinte precisa ser lavada.”
 
O secretário de Obras e Meio Ambiente, Adriano Tosta, explica que apesar de vir do cemitério, não existem chances de ter restos mortais na lama e que uma mudança nas tubulações será realizada para tentar solucionar este problema.
 

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