O novo ministro da Casa Civil


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Walter Souza Braga Netto, general de Exército, foi nomeado na quarta-feira Chefe da Casa Civil, pasta importante em governos anteriores e que perdeu relevância com Jair Bolsonaro 


Encarregada de acompanhar ações e projetos importantes para a Presidência da República, a Casa Civil tem status de ministério e existe desde 1938. A função do chefe dessa pasta é trabalhar em conjunto com o presidente e dedicar-se, em especial, a alguns pontos específicos. Um deles, a coordenação e integração das ações governamentais. Por falhar nessa atuação, especialmente, é que Onyx Lorenzoni foi afastado do posto, cedendo lugar ao general de Exército Walter Souza Braga Netto.

As atribuições da Casa Civil podem mudar de acordo com a personalidade do presidente da vez. Ela teve mais relevância em governos anteriores. Antecessor de Onyx no cargo, Eliseu Padilha foi decisivo nas articulações políticas de Michel Temer . Sem sua mediação é possível que a PEC do teto de gastos públicos não tivesse tramitado de forma rápida e aprovação idem.

Nos governos petistas, José Dirceu tornou-se, na função, o homem forte do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em determinado momento chegou a ser apontado como seu provável sucessor. Deixou a pasta por conta de graves acusações de corrupção. O cargo foi então assumido por Dilma Rousseff, ministra de Minas e Energia. Ela ficou quase cinco anos na chefia do órgão e sucedeu Lula na Presidência da República.

Os perfis dos chefes da Casa Civil variaram ao longo das últimas décadas, segundo uma capacidade mais técnica ou mais política. E seus ocupantes já foram considerados os braços direitos de ex-presidentes. Mas no governo Bolsonaro a pasta perdeu relevância.

Em meados do ano passado, talvez já pensando em substituir Onyx, o presidente fez uma reestruturação e transferiu a articulação política da Casa Civil para a Secretaria de Governo. Passou para a Secretaria-Geral da Presidência, a Subchefia de Assuntos Jurídicos, órgão por onde transitam as principais decisões do governo. Em troca, a Casa Civil ganhou o Programa de Parcerias de Investimentos – que em nova arremetida do governo para esvaziar a pasta e enfraquecer o ministro Onyx, migrou para o Ministério da Economia em janeiro. Era sinal de dias contados. Desde quarta-feira, o general Walter Souza Braga Netto, mineiro de Belo Horizonte, é o atual ministro da Casa Civil.

Com fama de falar pouco e trabalhar muito, ele está no Exército há 45 anos. Comandante do Leste em 2018, foi escolhido pelo então presidente Michel Temer para chefiar a intervenção federal do Rio, missão que desempenhou dentro do que era esperado de alguém com currículo alentado. Deixou o cargo meses depois e ocupava a chefia do Estado Maior do Exército quando, no final de 2019, seu nome começou a ser ventilado para o posto que agora ocupa. É mais um militar assessorando Bolsonaro.

Onyx, amigo de vinte anos e apoiador de primeira hora da campanha presidencial, não poderia ficar a ver navios. Como prêmio de consolação, ganhou o Ministério da Cidadania.

 

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