outono sem-vergonha
(viver um grande amor é um suicídio às avessas)
sou plenamente um amante
faminto alvoraçado
ingenuamente apaixonado
sem vergonha de ser amado
arrasto-me pelos possíveis sóis
sem-vergonha sendo feliz
cravando em nossos lençóis
as vitórias que a vida quis
calado não mais me imponho
o outono não me limita
amante feliz proponho
um brinde ao que me agita
o gaudério incenso habita
o templo insano que me inverte
a ausência do beijo me irrita
mas o calor do corpo me converte
e entre promessas não cumpridas
e transgressões ignoradas
sinto a felicidade enaltecida
nos braços da gaudência anunciada.
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