INVESTIGAÇÃO

Sumiço de Miguel Berdu completa 365 dias; casos chegam a 280 ao ano


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Desaparecidos: Miguel Berdú Egéa, Derick Martins e Gilson Carlos   Ferreira
Desaparecidos: Miguel Berdú Egéa, Derick Martins e Gilson Carlos Ferreira

Trezentos e sessenta e cinco dias sem informações. Cinquenta e duas semanas de incertezas. Doze meses de saudade e esperança. Nesta terça-feira, 4 de fevereiro, o desaparecimento do produtor rural aposentado Miguel Berdú Egéa, 88, completa um ano. Portador do Mal de Alzheimer, o aposentado foi visto pela última vez na região do Guanabara e, desde então, sua família luta para descobrir o seu paradeiro e sofre com a falta de respostas.

“A angústia da espera é muito dolorosa. Mantemos a esperança de encontrar o papai, mas nossos dias são de muita tristeza e dor, principalmente pela incerteza. Esse é o sentimento mais cruel, de não saber o que aconteceu, de não termos uma resposta. Toda a trajetória nestes meses é dolorosa. É decepcionante, frustrante. Não conseguimos fechar um ciclo e não tem um dia sequer que não vivenciamos essa dor”, disse, com a voz embargada, uma das filhas, Maria Elizabete Berdú Cintra.

Miguel Berdú esperava a esposa no banco de uma praça na região do Jardim Guanabara quando desapareceu. A última vez que ele foi visto, ainda naquela região, foi apenas algumas horas depois do desaparecimento. Desde então a família recebeu dezenas de pistas e informações, procurou em diversas cidades da região de Franca, incluindo em municípios mineiros, mas ele nunca mais foi encontrado.

Para os sete filhos, a esposa Maria de Lourdes Mendes Berdú, além dos 14 netos e os 3 bisnetos, os dias desde o desaparecimento têm sido uma eterna angústia e a família, que sempre foi unida, tem sofrido ainda mais em datas em que era comum celebrarem juntos. “É um sentimento de vazio eterno. Datas como Páscoa, Dia dos Pais, no aniversário dele e especialmente no Natal sofremos ainda mais”, conta Maria Berdú.

Quem tiver informações que possam levar ao paradeiro do idoso pode entrar em contato através do telefone (16) 99135-0664 e procurar por Maria Elizabete Berdú.


Equipe se une nas buscas por Miguel Berdu, que desapareceu ano passado

 

Buscas

O delegado Márcio Garcia Murari, da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de Franca, responsável pela investigação de casos de desaparecimento, informou que todas as informações obtidas ao longo dos últimos meses sobre possíveis paradeiros do aposentado Miguel Berdú foram conferidas.

Nos últimos três anos, aproximadamente 90% das pessoas desaparecidas em Franca e na área da Seccional de Franca foram localizadas ou retornaram para suas casas. Enquanto em 2017 desapareceram 287 pessoas e 265 foram localizadas, em 2018 foram 277 desaparecidos e 255 encontrados. No ano passado, segundo Murari, 280 pessoas desapareceram e aproximadamente 265 foram localizadas.

Advogados contatados pela reportagem afirmaram que o prazo para que alguma pessoa desaparecida seja considerada morta depende de acordo com cada caso e pode levar muitos anos. Em casos como o de Berdú, a família deve requerer na Justiça para abrir a sucessão e proteger os bens e, depois de todo o processo de buscas, baseado em todas as informações do caso, um juiz pode decretar a morte.  

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