É impressionante!


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Grosseiro no trato e inábil na ortografia, o ministro da Educação  foi  mal em 2019 e continua pior neste 2020 com os imbróglios do ENEM e do SISU 

 

E m abril de 2019, primeiro ano da gestão de Jair Bolsonaro, Abraham Weintraub assumiu o Ministério da Educação com o objetivo de “acalmar os ânimos” depois das polêmicas envolvendo seu antecessor, Ricardo Vélez. Elas, porém, estavam longe de terminar. Primeiro, ele tomou a decisão de contingenciar cerca de R$ 6 bilhões em verbas, o que atingiu em cheio as universidades federais. Emendou acusando sem provas alguns campi de terem “plantação de maconha e laboratórios de drogas”.

Em seguida, ignorou a questão do Fundeb, fundo bilionário de onde vem a maior parte (cerca de 60%) dos gastos na educação pública brasileira. Tendo entrado em vigor em 2007, o fundo vai expirar por lei em 31 de dezembro de 2020, podendo prejudicar destinações de verbas, inclusive para construção e manutenção de escolas.

A promessa de melhorar a formação de professores foi ponto que não vingou. Considerada crucial no Brasil, ela exige um grande debate, que o atual ministro poderia ter inspirado, se não tivesse preferido brincar de Dançando na chuva. Para não dizer que nada fez neste item, homologou em dezembro uma resolução redigida pelo Conselho Nacional de Educação, permitindo que até 40% da carga horária de cursos superiores sejam feitos à distância, à exceção de Medicina. Publicada, a portaria levou a um aumento do valor em bolsa das ações dos grandes grupos de educação privada, que concentram a maior parte do ensino superior do país.

Ainda no âmbito das universidades, outro projeto polêmico foi o Future-se, apresentado pelo MEC como forma de “dar maior autonomia financeira a universidades e institutos (federais) por meio do fomento à captação de recursos próprios e ao empreendedorismo”. Desde o lançamento, em julho, surgiram críticas de reitores e especialistas indagando se o “Future-se” não vai, na verdade, diminuir a autonomia das universidades, que passariam a depender mais do capital privado do que do público.

O único feito concreto do MEC, até agora, é a implementação das 54 escolas cívico-militares em 23 Estados e no Distrito Federal, número pequeno para o grande contingente de estudantes brasileiros que poderiam ser beneficiados.

Há evidente falta de clareza nas propostas de Weintrub, e uma ausência de interesse genuíno em levar educação de qualidade a milhões de crianças brasileiras. Pessoa estranha aos meios educacionais, preocupado em colocar suas digitais de direita em tudo o que faz, grosseiro no trato e inábil na ortografia, sua gestão confusa em 2019 começou mal neste 2020 com os imbróglios do ENEM e do SISU.

Para o bem da Educação no Brasil, seria melhor se recebesse bilhete azul na reforma ministerial que vem sendo ventilada no Planalto.

 

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