Os irmãos Göring


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É bastante comum que em uma mesma família onde há vários irmãos, eles, embora filhos do mesmo pai e da mesma mãe, criados praticamente da mesma maneira, com a mesma carga genética, quando atingem a maturidade, acabem revelando comportamentos, temperamentos, condutas e preferências pessoais e profissionais diferentes. Daí, a máxima popular de que “os dedos de uma mesma mão não são iguais”.

Mas, talvez, nenhuma diversidade familiar tenha sido tão gritante e tão evidente quanto a que ocorreu na Alemanha, por ocasião da 2ª Guerra Mundial, com os Irmãos Göring.

O mais velho, Hermann Göring, foi o líder maior da Luftwaffe, a Força Aérea Alemã durante a Guerra e uma das figuras mais importantes do nazismo. Lutou na primeira guerra mundial tendo sido, inclusive, condecorado. Ele chegou a ser apontado como sucessor de Hitler nos momentos derradeiros da guerra. Hermann era tido como uma máquina de destruição, tendo encomendado aos cientistas da Luftwaffe, o desenvolvimento de um avião bombardeiro, capaz de voar a uma velocidade de 1.000 km/h, transportando 4500 kg de bombas para, simplesmente, destruir Nova York e assim, segundo ele, “fechar a boca da arrogância daquele povo”. Felizmente esse projeto não chegou a se concretizar.

Já o seu irmão caçula. Albert, era o oposto, um pacifista que tentou, sem sucesso, carreira no cinema. Era tido como um playboy.

Segundo a revista Super Interessante, da Editora Abril, ele ajudou um número significativo de Judeus a fugir da repressão e, consequentemente, da morte, valendo-se, em muitas oportunidades, do fato de ser irmão de Hermann. Consta que chegou até a falsificar a assinatura do irmão para salvas pessoas. Morreu pobre.

Não obstante todo o seu legado de humanismo, o Estado de Israel não outorgou a Albert o título de “Justo Entre as Nações”. Uma distinção in memoriam a que ele seguramente fazia e faz jus.

Suspeita-se que a não-concessão do título decorra, simplesmente, do fato de ele ter sido irmão do número dois do nazismo. A meu juízo, exatamente por essa razão, é que ele é ainda mais merecedor da honraria.

 

Setímio Salerno Miguel
Advogado Empresarial e Professor da Faculdade de Direito de Franca

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