ESTRATÉGIA

Grupo de voluntários com cães ajuda a encontrar desaparecidos na região


| Tempo de leitura: 4 min
Parte da equipe do Gorsc com a cãozinha Nutella, que ajudou a encontrar a costureira aposentada Vera Nogueira a pedido de seu marido, Dorival dos Santos (1º à esq.): operação de sucesso
Parte da equipe do Gorsc com a cãozinha Nutella, que ajudou a encontrar a costureira aposentada Vera Nogueira a pedido de seu marido, Dorival dos Santos (1º à esq.): operação de sucesso

Um grupo de voluntários tem sido uma ajuda fundamental na busca por desaparecidos em Franca. Tradicionalmente feita por bombeiros, a procura tem recebido uma ajuda extra na cidade. O Gorsc (Grupo de Operações, Resgate e Salvamento com Cães), surgiu em Santa Catarina e, mais recentemente, trouxe uma unidade para a região e sul de Minas. O trabalho realizado pela unidade, que fica em Franca, é coordenado pelo adestrador Jorge Soares. Ele lida com animais há 16 anos e sempre foi apaixonado por trabalho social. “Com o tempo adestrando cães, eu vi que poderia usar eles, de alguma forma, para fazer o bem para comunidade.”

Jorge coordena uma equipe de três cães e mais sete voluntários, entre eles bombeiros, especialistas em sobrevivência e uma médica veterinária. Os cães, batizados como Nutella, Cabulosa e Wendy, fazem diferentes trabalhos, sempre acompanhados de Jorge. Nutella é uma Bloodhound que exerce a função de man trailing, ou seja, faz a busca através do cheiro, combinado com outros fatores externos.

Já a Cabulosa, da raça Pitbull, faz detecção de pessoas vivas em áreas de mata e também detecção de cadáveres. A última é um Braco Alemão, mas ainda está em treinamento para exercer as mesmas funções da Cabulosa. “Isso é para mostrar que o cão é uma excelente ferramenta de ajuda. É um companheiro de trabalho.”

O projeto, que já foi aprovado no programa “Voluntariado Federal”, tem seus gastos custeados pelos próprios membros. No entanto, o objetivo é receber um auxílio do governo para que não precisem arcar totalmente com as despesas. “A nossa ideia é nunca cobrar de uma família que está com a dor de uma perda. Mas temos despesas, com os cães, viagens, o transporte até o local, alimentação, treinamentos, equipamentos.”

Buscas

Quando o Gorsc vai iniciar alguma busca, a primeira informação que eles buscam é saber o último local em que a pessoa foi vista. Após isso, é necessário que a família forneça um artigo de odor, ou seja, algo que somente a pessoa tenha utilizado para que os cães possam sentir o cheiro no momento da busca. “Precisamos ter certeza que ninguém colocou a mão, (que) não tenha sido lavado. Ou seja, que não tenha contaminação de outros odores”.

Durante as buscas, no entanto, o grupamento costuma encontrar dificuldades, já que os trabalhos costumam ser feitos em matas ou em espaços públicos. “Em áreas de mata encontramos muita dificuldade por ter lama, cipós e adversidades naturais. Em área urbana falta o respeito dos condutores de veículos para parar o trânsito e entender que estamos em uma ocorrência para ajudar.”

Gorsc encontrou mulher com Alzheimer em Jardinópolis
 

Um exemplo que ocorreu há exatamente seis meses foi o caso de Vera Lúcia Nogueira, de Jardinópolis. Na ocasião, ela ficou desaparecida por 32 horas. Ao ser acionada pelo marido de Vera, a policia da cidade recomendou o Gorsc, que foi chamado pelos familiares e ajudou nas buscas.

Segundo Jorge, durante a ocorrência, várias coisas passaram pela cabeça do grupamento, seja o fato dela sofrer com a doença de Alzheimer ou a possibilidade de ter sofrido problemas no caminho. A Nutella foi escolhida para a busca. Foi ela quem levou a equipe até um canavial, onde Jorge então designou uma equipe para procurar Vera. Foi quando a encontraram. “Eu costumo contar que tive dois grandes momentos na minha vida: o nascimento do meu filho e encontrar a dona Vera.”

Os familiares, que estavam no momento do encontro, se emocionaram muito. De acordo com Ana Paula dos Santos, filha de Vera, a história só terminou bem por conta da ajuda da equipe.

Gorsc participou das buscas a Miguel Berdu até Pedregulho 

Um dos casos que mais repercutiu recentemente na cidade foi o desaparecimento de Miguel Berdu, de 87 anos. Há quase um ano, no dia 4 de fevereiro de 2019, ele aguardava a esposa em um banco de uma praça na região do Jardim Guanabara quando sumiu e não foi mais encontrado. As buscas por ele foram intensas e o Gorsc foi um dos grupamentos que auxiliou.

No entanto, apesar de fazer o man trailing em todas as saídas de Franca para outras cidades, de acordo com Jorge, a cachorra que acompanhava acabou negativando, ou seja, não encontrou nenhum cheiro dele. Foi somente em Pedregulho que conseguiram algumas informações, mas não houve auxilio da polícia mineira, por conta da jurisdição. “São Paulo fala que não pode ir pra Minas e Minas diz que o caso é de São Paulo. Então ninguém deu apoio e tivemos que parar as buscar por ali.”

Jorge acredita ainda que Berdu pode ter pego alguma carona e “por isso a cachorra foi puxando com muita força.”
 

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários