No hino da cidade de Cássia, uma valsa de rara beleza, composta pelo advogado e poeta Paulo Tavares da Gama, que embora nascido no Rio de Janeiro, se apaixonou por aquela cidade mineira, ali constituindo família, há na letra da música uma expressa referência ao “Boi Aragão”, um reprodutor da raça Gir, a mesma que durante anos, no passado, foi a preferida do pecuarista brasileiro, por aliar rusticidade, boa produção de carne e também de leite para uma raça zebuína.
O “Boi Aragão”, um reprodutor de excelente aprumo, segundo especialistas, foi adquirido pelo fazendeiro Comendador Antenor Machado, na região de Uberaba, do Senhor Gastão, por 500 mil contos de réis, em 10 de agosto de 1941. O pagamento foi feito através de um cheque sacado contra o Banco Mineiro da Produção, já extinto.
Segundo Flávio Borges, um estudioso da raça Gir, o Comendador Antenor, que já havia importado da Índia mais de duzentos indivíduos de ótimo padrão genealógico, foi reconhecido, na época, como um dos maiores criadores da raça Gir no Brasil, tanto que foi homenageado com um galpão em seu nome no Parque de Exposições de Uberaba.
O valor pago pelo “Boi Aragão” foi suficiente para que o vendedor comprasse uma fazenda de 1.000 alqueires na região de Uberlândia. O fato, por tão grandioso, virou notícia no jornal americano The New York Times, sendo que o exemplar do jornal se encontra arquivado no museu de Cássia.
O interessante, segundo Flávio Borges, é que a compra do Aragão e a projeção que o fato ganhou fizeram com que o Comendador Antenor valorizasse sobremaneira o seu plantel, fato que lhe permitiu, com o passar do tempo, obter grandes lucros com a compra do reprodutor de origem indiana, tanto é verdade que ele acabou por edificar um hotel em Cássia (Hotel Âncora), com o propósito de bem abrigar os pecuaristas que para lá se deslocavam, visando adquirir descendentes do famoso reprodutor.
Sem dúvida, o negócio foi uma clara jogada de marketing, no bom sentido da expressão, ocorrida nos idos da década de quarenta, do século passado.
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