Reações afoitas


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Depois do execrável plágio estilístico e da afinação nazista que tornaram inviável a permanência de Roberto Alvim à frente da Secretaria da Cultura, o nome da atriz Regina Duarte foi o primeiro a surgir como uma substituição palatável à frente do órgão que nunca deveria ter deixado de ser um Ministério. Prova do pouco empenho que o presidente da República Jair Bolsonaro dedica a esta área, cuja importância é vital para qualquer nação, a mudança de nome e a confusão de atribuições deixaram clara a ausência de um grande projeto nacional, urgente e imprescindível. Isso é ponto inquestionável.

Diante do nome de Regina Duarte, cuja vida artística e cidadã é bem conhecida dos telespectadores brasileiros, vozes raivosas se fizeram ouvir de imediato. Uma, no comentário grosseiro do ator Lima Duarte, com quem a atriz contracenou como protagonista em Roque Santeiro, uma das três maiores novelas da televisão brasileira em audiência, segundo a revista Veja em pesquisa de 2016. Disse ele que com Regina Duarte na Cultura, o Brasil teria “um Sinhozinho Malta na Presidência e uma Viúva Porcina na Cultura”. Comentário de profundo cunho antiético, porque referente a uma colega com quem ele trabalhou em novela que conferiu a ambos enorme visibilidade; e preconceituoso, pois a atriz ainda não começou qualquer trabalho, sequer aceitou oficialmente o cargo, como pode ser associada à personagem tosca que viveu? Se ela apoiou a candidatura de Jair Bolsonaro e se identifica como conservadora, é um direito de cidadã. Mas para a esquerda representa crime de lesa-pátria. Isso é radicalismo.

Mais civilizada foi Maitê Proença, também colega de Regina, que se manifestou em postagem: “Você é uma trabalhadora das artes desde a adolescência(...) Tem admiradores de todas as ideologias pela competência com que sempre se entregou ao ofício. Pensa diferente da maioria de nossa classe, mas isso não a torna perversa. Você não é cínica, e muito menos nazista.”

A chuva de mensagens nas redes sociais contra o fato de Regina Duarte ter pensado em aceitar substituir Roberto Alvim, reflete a imprudência de milhões de brasileiros que ultimamente parecem ter se tornado incapazes de compreender que a vida democrática não se separa em dois blocos estanques. Vivemos, como seres humanos e sociedade, em constantes intersecções. O radicalismo com que estamos tratando todas as questões que nos dizem respeito só nos trará mal, não contribuirá para qualquer avanço porque não admite o diálogo, o contraditório. Faltam equilíbrio e serenidade na avaliação de muitas alternativas.

Regina Duarte está em fase de pesquisa para entender os meandros de uma função árdua e de grande responsabilidade em relação aos artistas, às artes, ao povo brasileiro cuja diversidade é riqueza. Por que não dar a ela uma chance, antes de começar a criticá-la?


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