A rainha Elizabeth II, seu herdeiro Charles e o príncipe William pediram ontem a conselheiros da família real que encontrem uma "solução factível" para o futuro do príncipe Harry e da mulher dele, Meghan, dentro da monarquia nos próximos dias - e não semanas -, de acordo com meios de comunicação britânicos.
A renúncia de Harry e Meghan a suas funções reais, anunciada na quarta-feira, abalou o Reino Unido e irritou a monarquia. A decisão, aparentemente, surpreendeu até a rainha Elizabeth. Segundo o jornal britânico Guardian, o casal entregou o comunicado de que estava abandonando as funções de alto escalão aos príncipes Charles e William dez minutos antes de divulgá-lo no Instagram.
O Palácio de Buckingham afirmou que foi "deixado às escuras" pela divulgação da declaração no momento em que as conversações estavam no estágio inicial. Membros da família real disseram ter ficado "desapontados" e "magoados". "É assustador que tenham tomado essa decisão sem consultar a rainha, ou sem mesmo consultar o pai de Harry", disse o especialista em realeza britânica Richard Fitzwilliams. Ele considera que o casal teve uma atitude "rebelde".
A tensão no Palácio de Buckingham se tornou evidente depois que Harry, filho caçula do príncipe Charles - herdeiro do trono -, e Meghan, uma atriz californiana que abriu mão da sua profissão para entrar na família real, anunciaram que abandonariam as funções reais e buscariam independência financeira. Pelo Instagram, o casal indicou que pretendia morar nos EUA.
Há tempos, a cobertura da mídia e as estritas regras das funções reais incomodam Harry, de 35 anos, e Meghan, de 38. Ainda assim, segundo a especialista Victoria Murphy, o anúncio "decepcionou a família real britânica". Isso porque, apesar de a monarquia ser "um negócio, é também uma família", e decisões como essa "são pessoais e profissionais".
Os jornais consideram a proposta de independência financeira do casal como uma decisão "hipócrita". O dote real do qual abririam mão equivaleria a cerca de 5% dos seus gastos oficiais, já que os 95% restantes são financiado pela renda privada do príncipe Charles. No ano passado, esses 5% totalizaram 82,4 mil libras (cerca de R$ 335 mil) - os gastos totais do casal foram de 5 milhões de libras (pouco mais de R$ 20 milhões).
O duque e a duquesa de Sussex pretendem manter a residência em Frogmore Cottage, uma casa construída nos terrenos de Windsor, cuja reforma custou 2,4 milhões de libras (cerca de R$ 12,8 milhões) aos cofres públicos. Harry e Meghan também continuariam integrando o sistema de segurança social britânico.
Em nenhum momento o casal informou ter interesse em renunciar aos títulos de nobreza, ainda que o anúncio lhes permita ganhar dinheiro com suas atividades, aproveitando sua relevância midiática. Harry e Meghan anunciaram ontem que vão restringir o acesso da imprensa a seus futuros atos públicos.
Harry herdou 7 milhões de libras de sua mãe, a princesa Diana, que morreu em 1997, que foram investidos. Ele e o irmão também receberam um fundo deixado pela rainha-mãe, cujo valor não foi revelado. Durante sua carreira como atriz, Meghan teria ganhado cerca de 38 mil libras. David McClure, autor de Royal Legacy, sobre as finanças reais, estima que a fortuna do casal seja hoje de 18 milhões de libras (R$ 73 milhões). (Com agências internacionais)
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