Durante os últimos dias, o caso do pequeno João Gabriel, de apenas de 3 anos, comoveu a cidade. A criança foi picada por um escorpião no lado esquerdo do seu peito, no dia 14 deste mês. Após dar entrada no Pronto Socorro Infantil, o menino foi encaminhado para Santa da Casa, onde passou por diversos exames e procedimentos, até que teve a morte cerebral comprovada, na noite da última segunda-feira, 23.
A mãe de João Gabriel, Jovercina Silva Borges, de 33 anos, muito emocionada, relembrou o momento da picada. “Ele estava dormindo com a gente na cama. E no momento que eu deitei tinha um besouro voando no quarto. De repente senti algo andando na minha mão e bati achando que era o besouro. Aí passaram uns cinco minutos ele começou a gritar e a chorar. Levantei e acendi a luz achando que era algum bicho, já que ele é alérgico. Procuramos então na cama e, quando arrastamos, o escorpião estava atrás.”
Junto ao pai Alex Borges, Jovercina levou o filho para o Pronto Socorro e ele, rapidamente, foi encaminhado para Santa Casa. No hospital, o garoto passou por diversas complicações. “Fizeram um raio-X e descobriram que um dos pulmões estava todo comprometido. Todo cheio de água. Aí tiveram que fazer drenagem. No momento da drenagem o coração dele parou. Levaram ele pra UTI e o entubaram. Passado uns 20 minutos eles nos deixaram entrar. Ele estava inconsciente e todo entubado. Foi quando teve uma parada. Depois teve mais duas.”
Nos dias seguintes, a criança passou a não reagir, ficando entubada e ligada a aparelhos. Logo foi descoberto que o veneno havia paralisado o rim de João, o obrigando a fazer sessões de hemodiálise. Mas, apesar de todas as tentativas, o pequeno acabou não resistindo. “Ao atendimento eu só tenho a agradecer. A Santa Casa nos deu todo o suporte”, disse a mãe.
Para os familiares, agora fica a lembrança de uma criança animada, que movimentava a casa compartilhada com mais quatro irmãos, onde todos dividiam apenas um quarto. “Ele era uma criança muito amada, muito abençoada. Parecia que ele tinha dez dentro dele. Eu acordei e a casa estava naquele silêncio, parecendo que não tinha ninguém. Até os vizinhos eu acho que estão sentindo falta. Vai ser difícil. Cada pedaço dessa casa tem ele. Ele era muito especial.”
Já para os irmãos, segundo a mãe, cada um encara de uma maneira. “Tenho uma filha de oito anos que acredito que sofrerá mais do que os outros, porque ela faz aniversário no mesmo dia que ele. Pra ela será difícil.” Enquanto isso, o irmão Riquelme Borges, de 11 anos, guarda na memória os momentos que partilhou com o pequeno. “Estou muito triste, porque ele era uma pessoa muito especial para família inteira. Era querido por todo mundo. Não tinha uma pessoa que não falava dele.”
Apesar de todos os sentimentos de perda, João Gabriel deixará um legado para outra família. Durante a última terça-feira, 24, um avião da Força Aérea Brasileira aterrissou em Franca para buscar o fígado do garoto, para doar a uma criança de Minas Gerais. “Sabemos que o órgão foi pro estado de Minas. Mas não conheço a criança. Queria muito conhecer. Sinto que foi uma mãe que recebeu uma felicidade neste Natal. Ela nunca mais vai se esquecer disso. Ele se foi, mas graças a Deus ele salvou uma vida. Tenho certeza.”
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