Semelhante aos grandes centros de compras como o Brás e a 25 de Março, ambos em São Paulo, e até o Saara, no Rio de Janeiro, nos últimos meses as principais praças e calçadões do Centro de Franca se transformaram em um grande comércio a céu aberto. Em meio às centenas de pessoas que transitam diariamente pelas praças Nossa Senhora da Conceição, Barão e 9 de Julho, além dos calçadões das ruas do Comércio, Voluntários da Franca e Marechal Deodoro, os mais diversos produtos disputam espaço.
Meias, chinelos, cuecas, carteiras, tênis, rasteirinhas, cintos, bermudas, tapetes, toalhas de rosto, corpo e mesa; panos de prato, roupas de bonecas, bolsas, artesanatos diversos, bonés e chapéus, brinquedos para os mais variados gostos e idades - desde lançador de bolhas de sabão, carrinhos, bolas até dinossauros, bonecas, balões e patins - fones de ouvido, pen drive, barbeador; filtro dos sonhos, brincos, pulseiras e colares; são apenas alguns dos produtos que os consumidores têm à disposição para comprar mesmo sem precisarem entrar nas lojas. Chips telefônicos de várias operadoras e até mesmo títulos de capitalização também estão entre os objetos oferecidos livremente nas ruas centrais.
“Eu acho muito válido, afinal são pessoas trabalhando e buscando o sustento deles. Temos a opção de comprar ou não deles e não acho que atrapalhe as lojas, pois é natural o consumidor procurar preços mais baratos. O que eu acho é que deveria ser regularizado e mais organizado para não atrapalhar todos que estão passando pelos calçadões”, disse a administradora Regina Silveira, 35, moradora do Residencial Zanetti.
“Acho desconfortável por que somos abordados de um em um minuto por vendedores e acaba sendo chato ter que falar a todo momento que não quer algo e em alguns casos eles até acham ruim. Mas por outro lado entendo que estão apenas buscando o sustento deles, só acho que deveria ser mais organizado, pois é cansativo”, desabafou o sapateiro Roberson de Souza, 33, morador do Leporace.
Diariamente, apenas em poucos metros da praça Barão, lutam por clientes vendedores de canudinhos de doce de leite, churros, balas artesanais, pipoca, algodão doce, barraquinhas de frutas (morango, goiaba, manga, uva), chás naturais, cachorro-quente, lanches self service, salgados, entre outros.
Na praça Nossa Senhora da Conceição, de uma ponta a outra, disputam espaços os mais variados vendedores ambulantes. Na manhã do último dia 14, eram pelo menos 20 ambulantes, entre barracas e carrinhos, disputando um lugar para exporem suas mercadorias.
“Imagina você vem até o Centro e mal consegue caminhar de tanta coisa espalhada pelas calçadas, é incomodo sim. Não sou contra trabalharem, mas falta uma organização. Está pior que São Paulo, em dias de pico é impossível caminhar tranquilamente”, disse a dona de casa aposentada Benedita Aparecida Barros, 73, moradora da Santa Terezinha.
Fiscalização
Atualmente a Prefeitura conta com seis fiscais sanitários com a atribuição de fiscalizar os ambulantes que atuam na cidade, número considerado baixo para o serviço. “Esse número de profissionais não tem permitido uma fiscalização mais ampla e mais presente, sendo que esses fiscais acumulam também as atribuições da fiscalização sanitária, informou a Prefeitura, em nota.
Nesse fim de ano, de acordo com a administração municipal, a Vigilância Sanitária tem redobrado seus esforços e realiza ações pontuais no Centro da cidade, visando a fiscalização dos ambulantes. Nas últimas semanas foram realizadas algumas fiscalizações e estão previstas mais ações no decorrer das próximas semanas. “A administração atual entende o momento econômico difícil que o País enfrenta e que com isso muitos munícipes recorrem à atividade de comércio ambulante procurando uma forma de sustento, porém há o compromisso e o respeito com a legislação”, completa a nota.
Já a Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca), que representa a maior parte dos comerciantes da região, cobra alguma regulamentação. “O Centro é um espaço para todos, mas é necessário que haja regulamentação. Nos reunimos com representantes do mercado popular do Itaú e Associação dos Mercadores de Franca que pedem pelo mesmo: cumprimento do Código de Obras e Posturas. Quem atua de forma regular se sente prejudicado pelo comércio informal que não contribui, não garante a origem do produto e não segue as normas que o comércio formal é obrigado a seguir. Sem contar os prejuízos para o próprio consumidor que adquiri um produto sem procedência e tem seu direito de troca e reclamação lesados”, explica o presidente da Acif, Tarciso Bôtto.
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