O teatro de horrores


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Na última semana, o vereador da Câmara Municipal da cidade São Paulo, Adilson Amadeu (DEM), chamou o colega Daniel Annemberg (PSDB), durante a discussão de um pacote de projetos de lei , de “judeu filho da puta”. O caso, obviamente, ganhou repercussão nacional. Afinal, não é de hoje que atitudes racistas têm sido execradas. Mas a ação de Adilson Amadeu não é um caso isolado dos exemplos horrorosos de má conduta que têm se alastrado na política do país.

No começo de dezembro fomos todos insultados por um vídeo que viralizou, mostrando a maior confusão com direito a empurra-empurra na Assembléia Legislativa de São Paulo. Na ocasião, o deputador Artur do Val (sem partido), mais conhecido como Mamãe Falei, discursava na tribuna quando começou a agredir a atacar servidores públicos, que estavam na galeria e protestavam contra o discurso. Mamãe Falei - que pertence ao Movimento Brasil Livre (MBL) e foi expulso recentemente do DEM -, chamava os servidores de “bando de vagabundos” e dizia que eles estavam ali porque ganharam mortadela. Em meio a suas ofensas, um deputado mencionado por Mamãe Falei partiu rumo à tribuna, quando foi segurado por outro parlamentar. Mas aí, a confusão estava armada. Punhos em riste, empurra-empurra, agressões verbais e físicas. Tudo gravado e depois divulgado pela imprensa e circulando pelas redes sociais.

Esses momentos deploráveis também não estão estritos à capital. Em 2015, uma confusão generalizada tomou conta de uma sessão na Câmara Municipal de Restinga. Um vereador chegou a dizer que tinha recebido até mordidas de um colega de plenário.

Em tempos de polarização política, ânimos exaltados e discursos inflamados viraram rotina. Esses episódios acabam virando piada em grupos de amigos, mas escondem o quanto a violência e a intolerância tomaram conta do ambiente político, seja qual for a cidade. Esses exemplos, no entanto, precisam ser combatidos com a máxima urgência.

Debater os projetos, confrontar ideias e sugestões para melhorar a sociedade nunca foi fácil. Sempre haverá discorância ou pensamentos divergentes, mas os políticos, seja na Câmara Municipal de Franca ou no Senado Federal, precisam assumir o papel de exemplo para seus cidadãos e eleitores. Conseguir argumentar com racionalidade, usando dados e fatos e não xingamentos, ofensas ou os punhos, é o mínimo que se espera. Numa democracia, a violência nunca é método de convencimento para quem quer que seja.

Em Franca, apesar de não ter sido registrada nenhuma agressão entre vereadores, também é fácil perceber que o calor do momento, muitas vezes, substitui a racionalidade. Os vereadores que aplaudem seus eleitores ou seguidores propagando raciocínios violentos ou mensagens de ódio, em algum momento, podem ser alvo do próprio veneno. É passada a hora de colocar um fim nesse teatro de horrores.

 

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